Meio Ambiente

Brasil propõe roadmap para financiar US$ 1,3 trilhão em ações climáticas até 2035 na COP30 em Belém

Brasil propõe o "Roadmap de Baku a Belém" para garantir US$ 1,3 trilhão em financiamento climático até 2035, destacando a COP30 e a necessidade de inclusão do setor privado na transição climática.

Atualizado em
June 27, 2025
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(Getty-Images-picture-alliance/Getty Images)

A diplomacia climática enfrenta um desafio crucial: o financiamento para países em desenvolvimento. O Brasil apresentou o "Roadmap de Baku a Belém" na conferência de Bonn, na Alemanha, com o objetivo de garantir que, até 2035, o fluxo anual de financiamento climático alcance pelo menos US$ 1,3 trilhão. Este projeto busca unir recursos públicos e privados, destacando a importância da COP30, que ocorrerá em Belém, capital da Amazônia brasileira.

O evento posiciona o Brasil como uma voz do Sul Global, defendendo o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas (RCMD), estabelecido pela Convenção do Clima em 1992. Este princípio reconhece que todos têm deveres, mas aqueles que mais poluíram devem arcar com a maior parte dos custos. A justiça histórica é evidente, pois os desastres climáticos afetam mais intensamente aqueles que menos contribuíram para o aquecimento global.

O embaixador André Corrêa do Lago, na reta final de junho, sugeriu que a COP30 inclua metas de empresas, cidades e estados em um "NDC Global", permitindo a participação de atores subnacionais e do setor privado. A lógica é clara: sem investimento privado, o financiamento climático não será suficiente. Em 2024, o mercado de títulos temáticos emitiu US$ 1,05 trilhão, evidenciando o apetite por investimentos sustentáveis.

O Roadmap propõe uma biblioteca digital com boas práticas e modelos de financiamento misto, visando transformar cada dólar investido em emissões evitadas ou aumento da resiliência. O setor privado pode contribuir de três maneiras: co-financiando com estruturas de risco compartilhado, inovando em produtos financeiros e desenvolvendo tecnologias que reduzam os custos da transição.

Para que o Roadmap se concretize, é essencial acelerar a conexão entre intenção, realização e impacto. A meta de US$ 1,3 trilhão deve se transformar em ações concretas, com consultas técnicas e engajamento político. O impacto será visível quando comunidades ribeirinhas tiverem acesso a energia renovável e pequenos agricultores puderem contar com seguros climáticos acessíveis.

O tempo é um fator crítico, pois cada dólar adiado hoje pode resultar em perdas econômicas e colapso de ecossistemas no futuro. Se Belém conseguir transformar o Roadmap em uma ponte entre recursos e resultados, o Brasil não apenas liderará uma conferência, mas também marcará o início de uma nova era em que o Sul Global se torna coautor de seu futuro climático. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a justiça climática e ajudem os mais vulneráveis a se adaptarem às mudanças climáticas.

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