Saúde e Ciência

Brasil registra uma morte a cada sete minutos por AVC, destacando a urgência de melhorias no tratamento

Em 2025, uma pessoa morre a cada sete minutos no Brasil devido ao AVC, totalizando 18.724 óbitos em poucos meses. A Global Stroke Action Coalition destaca a urgência do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo.

Atualizado em
May 16, 2025
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O AVC é uma das principais causas de morte no país e no mundo. - Yodiyim/Adobe Stock

No Brasil, uma pessoa morre a cada sete minutos devido ao acidente vascular cerebral (AVC), totalizando 18.724 mortes entre 1º de janeiro e 5 de abril de 2025, conforme dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil. O AVC, também conhecido como derrame, é uma das principais causas de morte no país e no mundo. Globalmente, 7,3 milhões de pessoas faleceram por essa condição entre 1990 e 2021, e a Global Stroke Action Coalition projeta que esse número pode chegar a 9,7 milhões até 2050.

A coalizão, formada em abril por representantes de governos e especialistas em saúde, visa promover melhorias no tratamento do AVC. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o uso de trombolíticos, medicamentos que dissolvem coágulos sanguíneos, mas a aplicação desse protocolo não é uniforme em todos os hospitais. Maramélia Araújo de Miranda Alves, coordenadora do Departamento Científico de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia, destaca que a falta de organização e preparo em algumas regiões resulta em atrasos no atendimento, aumentando o risco de morte.

Dados da Rede Brasil AVC indicam que 77% dos centros de tratamento estão localizados nas regiões Sul e Sudeste, evidenciando uma desigualdade no acesso ao tratamento. Em 2022, o Brasil registrou o maior número de mortes por AVC, com 87.719 óbitos. Em 2023 e 2024, mais de 84 mil pessoas também perderam a vida devido a essa condição. O diagnóstico precoce é essencial, e a verificação da pressão arterial deve ser uma prioridade ao receber pacientes nas unidades de saúde.

A Global Stroke Action Coalition enfatiza a necessidade de planos nacionais de ação para o AVC e o financiamento de intervenções inovadoras. A coordenadora Maramélia ressalta que treinamentos em parceria com associações médicas e secretarias de saúde são fundamentais para melhorar o atendimento. A conscientização sobre os fatores de risco, como a hipertensão, é crucial para reduzir a incidência de AVCs.

O Ministério da Saúde não se manifestou sobre a situação até o fechamento desta reportagem. A falta de resposta e a ineficiência no tratamento refletem a urgência de ações efetivas para combater essa epidemia silenciosa. O AVC não afeta apenas os idosos, e a percepção de que essa condição é exclusiva de pessoas mais velhas deve ser desmistificada.

É fundamental que a sociedade civil se una em torno de iniciativas que visem apoiar as vítimas do AVC e promover a saúde pública. Projetos que incentivem a prevenção e o tratamento adequado podem fazer a diferença na vida de muitas pessoas. A união em torno de causas sociais pode transformar a realidade de quem enfrenta essa grave condição.

Folha de São Paulo
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