Meio Ambiente

Brasil se destaca na transição energética com biocombustíveis e potencial de mercado de US$ 40 bilhões até 2040

O Brasil, com sua experiência de 50 anos em biocombustíveis, avança com a Lei do Combustível do Futuro, visando reduzir emissões na aviação e expandir o uso de biocombustíveis, gerando oportunidades econômicas significativas.

Atualizado em
August 11, 2025
Clock Icon
4
min
Cultivo de cana para produção de etanol no interior de São Paulo; expertise brasileira na área abre caminhos para desenvolvimento de biocombustíveis mais avançados Foto: Daniel Teixeira/Estadão

O Brasil, com sua rica experiência de cinco décadas na produção de biocombustíveis, está se posicionando como um líder na transição energética global. A recente aprovação da Lei do Combustível do Futuro estabelece metas ambiciosas para a redução de carbono na aviação e incentiva o uso de biocombustíveis, refletindo um compromisso com a sustentabilidade. O Proálcool, iniciado na década de 1970, é um exemplo emblemático dessa trajetória, promovendo a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e adaptando motores para esse combustível.

Atualmente, o Brasil consome mais de trinta bilhões de litros de biocombustíveis, representando vinte e três por cento da matriz energética nacional. Quando se considera a energia elétrica gerada a partir da biomassa, esse percentual sobe para trinta por cento. Essa expertise em biocombustíveis, especialmente o etanol de segunda geração e os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), posiciona o Brasil como um potencial fornecedor global em um mercado que deve crescer significativamente nos próximos anos.

Estudos indicam que a demanda global por biocombustíveis pode dobrar até dois mil e trinta. O Brasil, como segundo maior produtor mundial, tem a oportunidade de liderar essa demanda crescente, com projeções de que tecnologias relacionadas aos biocombustíveis possam agregar até cem bilhões de dólares ao Produto Interno Bruto (PIB) até o início da próxima década. O mercado de biocombustíveis pode alcançar quarenta bilhões de dólares até dois mil e quarenta, com foco em soluções como HVO, etanol de segunda geração e biometano.

A Coalizão para a Descarbonização dos Transportes, que reúne mais de cinquenta entidades do setor, destaca que a ampliação do uso de biocombustíveis pode reduzir em até sessenta por cento as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes até dois mil e cinquenta. A Lei do Combustível do Futuro é um passo importante nesse sentido, estabelecendo metas para a mistura de etanol e biodiesel e promovendo o uso de SAF na aviação, com uma redução gradual da intensidade de carbono a ser alcançada até dois mil e trinta e sete.

Além disso, a realização da COP30 no Brasil representa uma oportunidade única para promover a agenda de biocombustíveis. Um manifesto elaborado por diversas organizações propõe a superação de barreiras regulatórias e comerciais, a construção de sistemas de certificação e a promoção de políticas públicas que incentivem a mistura de biocombustíveis no transporte. Essas ações podem gerar empregos e renda, além de estimular a inovação e a agregação de valor local.

Com a experiência acumulada ao longo dos anos, o Brasil está preparado para ser um protagonista na transição energética global. A expansão da produção de biocombustíveis sustentáveis pode não apenas atender à demanda interna, mas também impulsionar exportações e arrecadação tributária. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam essa agenda, contribuindo para um futuro mais sustentável e justo.

Estadão
Quero ajudar

Leia mais

Distrito Federal investe na modernização do transporte público com 444 novos ônibus sustentáveis
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Distrito Federal investe na modernização do transporte público com 444 novos ônibus sustentáveis
News Card

O governo do Distrito Federal anunciou a aquisição de 444 novos ônibus Torino Euro 6, que reduzirão a emissão de poluentes. Até 2025, todos os ônibus do Plano Piloto serão elétricos, melhorando o transporte público.

Primeiro tamanduá-bandeira nasce em cativeiro no Rio Grande do Sul e marca nova esperança para a espécie
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Primeiro tamanduá-bandeira nasce em cativeiro no Rio Grande do Sul e marca nova esperança para a espécie
News Card

Nasceu o primeiro tamanduá-bandeira em cativeiro no Rio Grande do Sul, no Gramadozoo, em 14 de junho. O filhote, com 1,5 quilo, é um marco para a conservação da espécie, que enfrenta sérios riscos de extinção.

Sebastião Salgado deixa legado de consciência ambiental em meio à ameaça de projetos de devastação no Brasil
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Sebastião Salgado deixa legado de consciência ambiental em meio à ameaça de projetos de devastação no Brasil
News Card

Sebastião Salgado, fotógrafo e ambientalista, deixou um legado sobre a Amazônia, enquanto a Câmara dos Deputados avança com um projeto de lei que ameaça a legislação ambiental e a biodiversidade brasileira.

Zoológico de Brasília sem previsão de reabertura enquanto aves silvestres ocupam o espaço e safra recorde é anunciada
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Zoológico de Brasília sem previsão de reabertura enquanto aves silvestres ocupam o espaço e safra recorde é anunciada
News Card

O Zoológico de Brasília permanece fechado sem previsão de reabertura, conforme anunciado pelo secretário de Agricultura, Rafael Bueno, devido à migração de aves silvestres. Além disso, ele destacou uma safra recorde de grãos no DF e novos projetos de proteção ambiental.

Baleias jubarte em migração geram preocupação após avistamento de animal morto no litoral do Rio
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Baleias jubarte em migração geram preocupação após avistamento de animal morto no litoral do Rio
News Card

A migração das baleias jubarte para o litoral do Rio de Janeiro gera preocupações após a descoberta de uma jubarte morta, evidenciando a falta de fiscalização nas regras de convivência. Ambientalistas alertam para o estresse causado por barcos que cercam os animais, enquanto a recuperação da espécie desde os anos 80 aumenta os avistamentos. A diminuição do krill na Antártida pode estar alterando o comportamento das jubartes, que buscam alimento mais próximo da costa.

Brasil avança na transição energética com a Lei do Combustível do Futuro e crescimento dos biocombustíveis
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Brasil avança na transição energética com a Lei do Combustível do Futuro e crescimento dos biocombustíveis
News Card

A Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, promete investir R$ 1 trilhão em biocombustíveis, ampliando a produção de etanol e biodiesel e fortalecendo a matriz energética renovável do Brasil.