Meio Ambiente

Brigadistas indígenas e quilombolas recebem treinamento em pilotagem de drones para combater incêndios florestais

Brigadistas indígenas e quilombolas estão sendo capacitados para pilotar drones no combate a incêndios florestais, com apoio do Ibama e da Fundação Bunge, visando aumentar a eficiência nas operações. Essa parceria inovadora busca integrar conhecimento tradicional e tecnologia para enfrentar os desafios das queimadas na Amazônia.

Atualizado em
July 25, 2025
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Ação contra o fogo: risco elevado (Keiny Andrade/Fundação Bunge/.)

Sob um sol intenso, Gildimar Sitrê Xerente, chefe de brigada da Terra Indígena Xerente, pilota um drone DJI Mavic Mini 4 Pro, auxiliado por um companheiro que observa o céu. O treinamento, realizado com apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Fundação Bunge, visa aprimorar o combate a incêndios florestais na Amazônia. Gildimar, com doze anos de experiência, destaca a importância de unir conhecimento tradicional e tecnologia.

O curso, realizado em junho, faz parte de um acordo que inclui o treinamento de trinta e seis brigadistas e a doação de seis kits de drones, além de três salas de situação móveis equipadas com tecnologia avançada. O investimento inicial da Fundação Bunge no projeto foi de aproximadamente R$ 500 mil. A parceria surgiu após a Fundação perceber o interesse de indígenas em usar drones para monitorar incêndios, levando a um contato com o Prevfogo para entender as necessidades das brigadas.

Atualmente, o Prevfogo opera com cento e noventa e dois drones e trinta e oito pilotos especializados. A formação de brigadistas indígenas e quilombolas pode aumentar a eficiência no combate a incêndios, especialmente em períodos críticos. O manejo integrado do fogo, que envolve a queima controlada e a recuperação de florestas, é essencial para prevenir incêndios de grandes proporções durante a estação seca.

Os brigadistas enfrentam desafios crescentes devido às mudanças climáticas, que alteram os padrões de queimadas. Em 2024, incêndios ocorreram em períodos atípicos, como no Pantanal em fevereiro. A cobertura vegetal da Amazônia, antes resistente ao fogo, também começou a ser afetada. Flávia Saltini Leite, coordenadora-geral do Prevfogo, observa que a vegetação mais seca aumenta a velocidade e a intensidade das chamas, tornando o trabalho dos brigadistas mais perigoso.

Os drones funcionam como torres de observação, permitindo que os brigadistas avaliem a situação do fogo e identifiquem rotas de fuga. Gildimar, ao pilotar o drone, não apenas registra focos de incêndio, mas também contribui para a segurança de sua equipe. A tecnologia se torna uma aliada crucial no combate a incêndios, especialmente em um cenário de mudanças climáticas que trazem incertezas.

Iniciativas como essa merecem apoio da sociedade civil para garantir a segurança e a eficácia no combate a incêndios florestais. A união em torno de projetos que capacitam comunidades locais pode fazer a diferença na preservação ambiental e na proteção de vidas. Juntos, podemos fortalecer essas ações e ajudar a enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

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