Meio Ambiente

Câmara Municipal de Paulicéia pede reativação de laboratório de alevinos para preservar ecossistema do Rio Paraná

Câmara Municipal de Paulicéia pede fiscalização da Estação de Piscicultura da Cesp, desativada há mais de uma década, devido à escassez de peixes nativos e aumento de espécies invasoras, como a piranha-branca.

Atualizado em
June 30, 2025
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Estação de Piscicultura da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em Castilho (SP), está desativada há mais de uma década — Foto: Reprodução/Google

A Câmara Municipal de Paulicéia, em São Paulo, solicitou a intervenção de órgãos ambientais para fiscalizar a Estação de Piscicultura da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que está desativada há mais de uma década em Castilho. O ofício, enviado em 6 de junho, foi direcionado ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP), ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil-SP). A estação não realiza a soltura de alevinos há pelo menos doze anos, e não há informações sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) ou o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) relacionados ao Rio Paraná.

Os municípios ribeirinhos, como Paulicéia, enfrentam sérios problemas devido à falta de espécies nativas e à proliferação de peixes invasores, como a piranha-branca. O pescador profissional Alcebiades Souza Filho, de 58 anos, relatou que as espécies nativas, como mandi, armal, curimba e pintado, quase não existem mais na região. Ele e outros pescadores dependem das poucas espécies que restam, além de peixes exóticos que estão prejudicando o ecossistema local.

Souza Filho destacou que a reprodução descontrolada de piranhas tem dificultado a pesca, pois esses peixes consomem as iscas e os alevinos. Ele mencionou que a situação se agravou após a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que destruiu barreiras naturais e permitiu a proliferação da piranha-branca. Além disso, a escassez de espécies como o barbado, que era uma importante fonte de renda, preocupa os pescadores da região.

Os pescadores acreditam que a reativação da Estação de Piscicultura é essencial para a reposição de peixes nativos, já que as espécies locais não estão se reproduzindo naturalmente. Souza Filho enfatizou que a soltura de alevinos é a única solução viável para restaurar o equilíbrio do ecossistema e garantir a sobrevivência dos pescadores e do comércio local, que depende da pesca e do turismo.

A Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (Apoena), apoia a soltura de alevinos, mas ressalta a necessidade de critérios técnicos para evitar desequilíbrios ecológicos. O presidente da Apoena, Djalma Weffort, alertou sobre os riscos de introduzir espécies exóticas, como o tucunaré, que podem prejudicar ainda mais as espécies nativas. A Câmara Municipal de Paulicéia já havia solicitado, em fevereiro, a intervenção do governo federal para a soltura de alevinos e a divulgação de documentos relacionados ao impacto ambiental da Cesp.

A Cesp, por sua vez, informou que a suspensão do programa de peixamento foi recomendada por especialistas, que não encontraram evidências de eficácia na medida. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também reconheceu a necessidade de estudos complementares antes de retomar o programa. A situação atual exige uma resposta rápida e eficaz para restaurar a biodiversidade do Rio Paraná e apoiar a economia local.

Neste contexto, a união da comunidade pode ser fundamental para impulsionar iniciativas que visem a recuperação do ecossistema e a revitalização da pesca na região. A mobilização social pode ser a chave para garantir que as vozes dos pescadores e das comunidades ribeirinhas sejam ouvidas e que ações efetivas sejam tomadas para restaurar a saúde do Rio Paraná.

G1 - Meio Ambiente
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