Meio Ambiente

Carlos Nobre alerta para o 'Trumping Point' e destaca a importância da COP30 no combate à crise climática

Dr. Carlos Nobre introduziu o termo "Trumping Point", referindo-se ao impacto sociopolítico das decisões de Donald Trump na luta contra as mudanças climáticas, destacando a urgência da COP30 no Brasil.

Atualizado em
June 16, 2025
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Foto: Reprodução

O climatologista Carlos Nobre introduziu o termo "Trumping Point" para descrever o impacto das decisões de Donald Trump na luta contra as mudanças climáticas. Após seu retorno à presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025, Nobre destacou que, além dos pontos de não retorno ecológicos, agora existe um ponto de não retorno sociopolítico. Ele acredita que as ações de Trump, como a saída do Acordo de Paris e o apoio à exploração de combustíveis fósseis, agravam a emergência climática.

Nobre, que é membro da Academia Brasileira de Ciências e um dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz em 2007, enfatiza que a temperatura global já ultrapassou níveis alarmantes. Em janeiro de 2025, a temperatura média foi de 1,75 graus acima dos níveis pré-industriais, o que não ocorre há mais de 120 mil anos. Ele critica o negacionismo climático de Trump e alerta que isso pode levar a consequências irreversíveis para o planeta.

O climatologista também menciona que a ciência já identificou mais de 25 pontos de não retorno, incluindo a extinção de recifes de corais e o descongelamento do permafrost, que liberaria grandes quantidades de gases de efeito estufa. Nobre destaca que a Amazônia está à beira de um ponto de não retorno, onde a degradação e o desmatamento podem resultar na perda de até setenta por cento da floresta, contribuindo significativamente para as emissões globais de carbono.

Com a realização da COP30 em Belém, no Pará, em novembro de 2025, Nobre acredita que esta conferência pode ser a mais importante até agora. Ele ressalta a necessidade urgente de ações concretas para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus. Os países que mais emitem gases, como China, Índia e Rússia, devem assumir a liderança, especialmente com os Estados Unidos fora do acordo.

O papel do mercado financeiro é visto como crucial na transição para uma economia de baixo carbono. Nobre sugere que um mercado de carbono robusto pode incentivar setores emissores a adotarem práticas mais sustentáveis. Ele menciona exemplos de países que já estão se comprometendo a eliminar o uso de combustíveis fósseis, como a Alemanha e a Noruega, e acredita que o Brasil tem potencial para liderar essa transição.

O Brasil, que enfrenta desafios significativos com o desmatamento, pode se tornar um modelo de economia sustentável. O governo atual se comprometeu a zerar o desmatamento até 2030 e a restaurar áreas degradadas da Amazônia. Projetos de restauração florestal são essenciais para remover carbono da atmosfera e mitigar as emissões. A mobilização da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a proteção ambiental e a promoção de um futuro sustentável.

InfoMoney
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