Meio Ambiente

David Obura destaca a urgência de integrar biodiversidade e clima nas políticas ambientais globais

David Obura, chairman da IPBES, destaca a urgência de integrar oceanos, biodiversidade e clima nas políticas globais, enfatizando avanços legislativos no Brasil e a colaboração internacional necessária para enfrentar crises ambientais.

Atualizado em
April 30, 2025
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Obura veio ao Brasil para proferir a 3ª Conferência FAPESP de 2025 (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

David Obura, chairman da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), destacou a urgência de integrar oceanos, biodiversidade e clima nas políticas globais. Em sua visita ao Brasil, ele ressaltou que, apesar do aumento da conscientização sobre a perda de biodiversidade, as ações ainda são insuficientes. A IPBES, criada em 2012 por 94 países, busca sistematizar o conhecimento científico para apoiar decisões políticas, semelhante ao trabalho do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Obura enfatizou que a interconexão entre clima, biodiversidade e oceanos é crucial, pois ações em uma área impactam as outras. Ele afirmou que a abordagem integrada é necessária para entender como os recursos naturais, como água e alimentos, dependem da saúde dos ecossistemas. A separação dessas agendas, segundo ele, é impulsionada por uma economia capitalista que prioriza o lucro em detrimento da sustentabilidade ambiental.

Recentemente, a IPBES tem promovido iniciativas para integrar essas agendas, como a colaboração com o Ministério do Meio Ambiente do Brasil, que resultou em novas legislações para prevenir incêndios florestais. Obura mencionou que a ciência deve ser útil para formuladores de políticas, e que as avaliações realizadas pela IPBES têm sido utilizadas por diversos setores, demonstrando a relevância dos dados científicos na prática.

Obura também expressou seu desejo de aumentar a compreensão sobre o papel da IPBES, que vai além da biodiversidade, abordando como a natureza sustenta as economias e sociedades. Ele destacou que a degradação ambiental atual compromete a capacidade de atender às necessidades humanas, e que é fundamental que as pessoas reconheçam essa relação.

Sobre a participação dos Estados Unidos na IPBES, Obura afirmou que, embora o país esteja ativo nas discussões, não é signatário da Convenção sobre Diversidade Biológica. Ele alertou que a atual abordagem do governo americano, focada na maximização do lucro, está retrocedendo em termos de políticas de biodiversidade e conscientização pública.

Por fim, Obura espera que a COP30, programada para novembro no Brasil, seja uma oportunidade para que a agenda do oceano e da biodiversidade seja incorporada na agenda climática. Ele acredita que as soluções apresentadas no Relatório Nexus podem ser implementadas imediatamente, ajudando países a enfrentar crises climáticas e hídricas. A união em torno dessas questões é vital para promover ações que beneficiem a sociedade e o meio ambiente.

Agência FAPESP
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