Socioambiental

Censo 2022 revela que 11,8 milhões de pessoas vivem em unidades de conservação no Brasil, destacando desafios de infraestrutura e direitos territoriais

Censo 2022 revela que 11,8 milhões de pessoas vivem em unidades de conservação no Brasil, com 40% enfrentando precariedades em serviços básicos. Kátia Torres, do ICMBio, destaca a urgência da regularização fundiária e acesso a serviços essenciais.

Atualizado em
July 14, 2025
Clock Icon
4
min
Kátia Torres, diretora de ações socioambientais e consolidação territorial do ICMBio - Divulgação/ICMBio/MMA

O Censo 2022 revelou que 11,8 milhões de pessoas vivem em unidades de conservação no Brasil, um dado que surpreendeu Kátia Torres, diretora de ações socioambientais e consolidação territorial do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo ela, essas informações serão fundamentais para a gestão das áreas protegidas. Torres destaca que muitos desses moradores são trabalhadores da conservação e que é essencial que serviços públicos cheguem a essas comunidades, evitando que viver na natureza se torne um fardo.

O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 40% da população residente em unidades de conservação enfrenta precariedades em serviços básicos, como abastecimento de água e destinação de lixo e esgoto. Essa taxa é superior à média nacional, que é de 27,28%. Para Torres, é crucial dar visibilidade a essas comunidades, permitindo que tenham acesso a educação, saúde, água, energia elétrica e internet.

Quando questionada sobre os impactos da presença humana nas áreas protegidas, especialmente nas unidades de proteção integral, que abrigam 131,5 mil pessoas, Torres afirma que a situação fundiária é complexa e requer análises específicas. A ocupação irregular pode ocorrer em todas as categorias de unidades de conservação, onde coexistem tanto possuidores legítimos quanto ocupantes irregulares e grileiros. Identificar os direitos legítimos é um trabalho contínuo na gestão dessas áreas.

O Censo não fornece dados sobre quantos moradores estão em situação irregular, e o ICMBio também não possui essa informação. A decisão sobre a implementação de serviços públicos depende da análise de cada local. As áreas de proteção ambiental (APAs) são as mais populosas, com quase 11,5 milhões de residentes, representando 97,1% do total. Torres ressalta que o zoneamento das APAs é um instrumento vital para regularizar a ocupação do solo, definindo os usos permitidos em cada local.

Torres também menciona que a criação de unidades de conservação muitas vezes se sobrepõe a diversas situações fundiárias que precisam ser tratadas individualmente. Nos casos de ocupação irregular, existem alternativas como desapropriação, assinatura de termos de compromisso e redesenho dos limites das áreas protegidas. Ela defende que é necessário harmonizar as leis ambientais com outras legislações do país.

O IBGE revelou que 21% da população quilombola do Brasil reside em unidades de conservação, o que não surpreendeu Torres. Ela observa que a natureza e as comunidades que buscam proteção da sociedade dominante frequentemente coexistem nos mesmos espaços. Essa realidade destaca a importância de unir esforços para garantir que essas populações tenham acesso a direitos básicos e serviços essenciais, promovendo um ambiente mais justo e sustentável.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

São Paulo registra recorde de frio com mínima de 13,2ºC e se prepara para novas quedas de temperatura
Socioambiental
Clock Icon
3
min
São Paulo registra recorde de frio com mínima de 13,2ºC e se prepara para novas quedas de temperatura
News Card

São Paulo registrou recorde de frio com 13,2ºC na madrugada, e meteorologistas alertam para novas mínimas. A cidade está em estado de atenção, com ações para proteger a população em situação de rua.

Amazônia: bioeconomia pode gerar R$ 45 bilhões e 830 mil empregos até 2050, aponta estudo do WRI
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Amazônia: bioeconomia pode gerar R$ 45 bilhões e 830 mil empregos até 2050, aponta estudo do WRI
News Card

Estudo do World Resources Institute revela que a bioeconomia na Amazônia pode adicionar R$ 45 bilhões ao PIB do Brasil e gerar 830 mil empregos até 2050, destacando a importância da biodiversidade e do conhecimento local.

Brasil tem 12 milhões de habitantes em unidades de conservação, com perfil racial diversificado e predominância de negros e indígenas
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Brasil tem 12 milhões de habitantes em unidades de conservação, com perfil racial diversificado e predominância de negros e indígenas
News Card

Censo 2022 revela que doze milhões de brasileiros habitam unidades de conservação, com 99% em áreas de uso sustentável. A população é majoritariamente negra e indígena, destacando a presença de quilombolas.

Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu promove inclusão e proteção territorial na Amazônia
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu promove inclusão e proteção territorial na Amazônia
News Card

O MIDR destina R$ 60 milhões ao PDRSX para promover inclusão e sustentabilidade no Xingu. O investimento visa fortalecer comunidades indígenas e desenvolver projetos de ordenamento territorial e inclusão social.

Lula destaca importância de encontro com indígenas e recebe alerta sobre exploração de petróleo na Amazônia
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Lula destaca importância de encontro com indígenas e recebe alerta sobre exploração de petróleo na Amazônia
News Card

Lula destaca a importância do respeito aos direitos indígenas em visita ao Parque Nacional do Xingu, onde cacique Raoni alerta sobre os riscos da exploração de petróleo na Amazônia.

Natura destaca a Amazônia na COP-30 e reafirma compromisso com a regeneração e a bioeconomia
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Natura destaca a Amazônia na COP-30 e reafirma compromisso com a regeneração e a bioeconomia
News Card

A Natura participará da COP-30 em Belém, destacando a bioeconomia e suas metas de descarbonização. A empresa, com forte vínculo com comunidades amazônicas, busca promover a regeneração e a justiça social. Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade, enfatiza que a urgência climática exige ações além da sustentabilidade, como restaurar ecossistemas e reduzir desigualdades. A Natura se compromete a usar apenas embalagens sustentáveis até 2030 e a zerar suas emissões líquidas de carbono no mesmo ano. A participação na COP-30 visa amplificar a agenda socioambiental brasileira e mostrar que é possível unir conservação e lucratividade, destacando a Amazônia como um polo de prosperidade.