Socioambiental

Censo revela que 11,8 milhões de pessoas vivem em Unidades de Conservação no Brasil, com destaque para comunidades tradicionais

Censo revela que 11,8 milhões de pessoas residem em Unidades de Conservação no Brasil, com 131 mil em áreas onde a habitação é proibida, destacando a complexidade das ocupações e precariedades enfrentadas. A maioria é parda, com aumento de quilombolas e indígenas, evidenciando conflitos entre políticas ambientais e regularização fundiária.

Atualizado em
July 11, 2025
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O bairro de Santa Teresa, no Rio, fica dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Santa Teresa, o tipo de Unidade de Conservação mais habitado — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

Pela primeira vez, o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou dados sobre a população que reside em Unidades de Conservação (UCs) no Brasil. Segundo o levantamento, mais de 11,8 milhões de pessoas, representando 5,8% da população total, habitam 1.138 parques, florestas e reservas ambientais. Embora a maioria viva em áreas onde a residência é permitida, cerca de 131 mil pessoas estão em locais onde a ocupação é ilegal.

As UCs são divididas em duas categorias principais: as de uso sustentável, que permitem a habitação, e as de proteção integral, onde a presença humana é restrita. A maioria dos moradores (98,7%) está em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que são mais permissivas. A APA do Planalto Central, no Distrito Federal, é a mais habitada, com 601 mil residentes, incluindo partes da cidade de Brasília.

O Censo também destacou a diversidade étnica entre os moradores das UCs. A população parda é a mais numerosa, com 51%, seguida por brancos (35,8%) e pretos (11,9%). O aumento da população quilombola é notável, passando de 0,66% na média nacional para 2,39% nas UCs, totalizando 282.258 pessoas. A presença de indígenas também é significativa, com 132 mil moradores, representando 7,8% da população indígena do Brasil.

Conflitos fundiários são comuns nas UCs, especialmente entre comunidades tradicionais e a legislação ambiental. Marta Antunes, responsável pelo Projeto de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, destacou que há sobreposições de UCs com territórios reivindicados por quilombolas. Apesar das dificuldades, muitos desses povos têm um papel crucial na preservação ambiental, desenvolvendo práticas sustentáveis em seus territórios.

As irregularidades na ocupação das UCs são frequentemente associadas a loteamentos ilegais e autorizações pontuais de uso. No entanto, nem todos os moradores em áreas de proteção integral estão em situação ilegal, pois existem exceções, como tribos indígenas que já habitavam essas regiões antes da criação dos parques. Casos de construções irregulares, especialmente no Rio de Janeiro, têm sido alvo de operações policiais.

Os dados do Censo revelam que 40% dos residentes de UCs enfrentam precariedades em serviços básicos, como abastecimento de água e coleta de lixo. Essa situação é ainda mais crítica nas áreas rurais, onde 86,8% dos moradores convivem com essas dificuldades. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que melhorem as condições de vida dessas comunidades, promovendo a preservação ambiental e a justiça social.

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