Socioambiental

Fany Kuiru Castro destaca a influência do papa Francisco na luta pelos direitos dos povos indígenas da Amazônia

Fany Kuiru Castro se torna a primeira mulher a liderar mais de 400 povos indígenas da Pan-Amazônia, destacando o papel do Papa Francisco na defesa dos direitos indígenas e na conscientização ambiental. A encíclica Laudato si e o Sínodo da Amazônia foram marcos importantes na luta pela proteção da floresta e dos povos que nela habitam.

Atualizado em
April 26, 2025
Clock Icon
4
min
Papa Francisco na praça São Pedro, no Vaticano - Alberto Lingria - 26.maio.24/Xinhua

Fany Kuiru Castro se tornou a primeira mulher a liderar mais de quatrocentos povos indígenas da Pan-Amazônia, destacando a importância do Papa Francisco na defesa dos direitos indígenas e na conscientização sobre a Amazônia. Castro, advogada colombiana e atual presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), reconhece que a figura do papa foi crucial para abrir portas. Ela ressalta que Francisco sempre se referiu à Amazônia como "minha querida Amazônia" e abordou questões como o extrativismo e os danos ambientais.

Desde que assumiu o papado em 2013, Francisco colocou a preocupação socioambiental no centro da Igreja Católica. Sua encíclica Laudato si, publicada em 2015, propõe uma "ecologia integral" como resposta aos impactos da ação humana no planeta. O arcebispo de Palmas, Pedro Brito, observa que a temática ambiental não era amplamente discutida na Igreja antes de Francisco, e sua abordagem gerou críticas, especialmente durante o Sínodo da Amazônia, realizado em 2019.

O Sínodo, que ocorreu no início do mandato de Jair Bolsonaro, foi um marco importante. Dom Pedro Brito menciona que o papa "ouviu o grito" dos bispos que há décadas tentavam chamar a atenção da Igreja para a Amazônia. Durante o encontro, ele proclamou que crimes ambientais, como desmatamento e poluição, deveriam ser considerados "pecados ecológicos", conforme registrado no documento final do Sínodo.

O escritor e pesquisador indígena Edson Krenak elogia a postura de Francisco, que se abriu para a teologia indígena e pediu perdão pela violência histórica contra os povos originários. Em 2016, o papa pediu desculpas no México, reconhecendo os danos causados em nome da Igreja. O Sínodo da Amazônia foi uma oportunidade de diálogo e reconciliação, ressaltando a importância da floresta e dos direitos dos povos indígenas.

Apesar dos avanços, Krenak aponta que a Igreja Católica ainda precisa se posicionar firmemente sobre a demarcação de terras indígenas. Ele critica a falta de ação em relação à propriedade, considerando que a Igreja, como uma das maiores proprietárias de terras, deveria defender os direitos dos povos indígenas de forma mais contundente. A localização das terras da Igreja também levanta questões sobre seu uso por grandes empresários do agronegócio.

Com a morte de Francisco, há preocupações sobre o futuro da agenda socioambiental da Igreja. Dom Pedro acredita que os ensinamentos sobre ecologia integral permanecerão, mas a crise socioambiental exige ação contínua. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que protejam os direitos dos povos indígenas e a Amazônia, promovendo um futuro mais sustentável e justo.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

Gamezônia: o videogame que transforma a educação ambiental e combate o desmatamento na Amazônia
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Gamezônia: o videogame que transforma a educação ambiental e combate o desmatamento na Amazônia
News Card

Patrícia Muniz de Lima criou o Gamezônia, um jogo educacional sobre a Amazônia, visando conscientizar sobre desmatamento e biodiversidade. A iniciativa busca expandir e participar da COP30.

Governo inicia operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó para combater garimpo ilegal
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Governo inicia operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó para combater garimpo ilegal
News Card

O Governo Federal iniciou uma operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó, no Pará, para combater o garimpo ilegal e proteger os direitos dos povos indígenas. Mobilizando mais de 20 órgãos federais, a ação visa preservar o território e a vida dos indígenas, enfrentando a degradação ambiental e o crime organizado.

Povos indígenas são essenciais para a conservação das florestas brasileiras, afirma pesquisa científica
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Povos indígenas são essenciais para a conservação das florestas brasileiras, afirma pesquisa científica
News Card

Termo de compromisso entre ICMBio e comunidade guarani no Paraná permite permanência em terras sobrepostas a reserva biológica, gerando protestos de entidades conservacionistas. A gestão indígena é reconhecida como essencial para a conservação das florestas.

IV Marcha das Mulheres Indígenas reúne mais de sete mil participantes em Brasília para defender territórios e o clima
Socioambiental
Clock Icon
3
min
IV Marcha das Mulheres Indígenas reúne mais de sete mil participantes em Brasília para defender territórios e o clima
News Card

A IV Marcha das Mulheres Indígenas ocorrerá em Brasília de 2 a 8 de agosto, reunindo mais de sete mil participantes para fortalecer a luta por direitos e reconhecimento. O evento, promovido pela União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira e pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, incluirá debates sobre temas cruciais e culminará em uma mobilização até o Congresso Nacional, destacando a importância do protagonismo feminino na proteção ambiental e na defesa dos territórios indígenas.

Cacau e garimpo: a transformação de uma família na Amazônia em busca de sustentabilidade e qualidade de vida
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Cacau e garimpo: a transformação de uma família na Amazônia em busca de sustentabilidade e qualidade de vida
News Card

A família Faes-Brogni exemplifica a transição de garimpeiros para produtores de cacau na Amazônia, destacando a importância do conhecimento técnico e das condições de trabalho para a sustentabilidade. Essa mudança reflete uma busca por melhores condições de vida e preservação ambiental.

Greenpeace Brasil lança campanha 'Não Mais Poços de Petróleo' em protesto contra exploração na Amazônia
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Greenpeace Brasil lança campanha 'Não Mais Poços de Petróleo' em protesto contra exploração na Amazônia
News Card

O Greenpeace Brasil lança a campanha "Não Mais Poços de Petróleo" em resposta aos leilões da ANP, mobilizando a sociedade contra a exploração na Amazônia. A ação inclui um videoclipe e intervenções urbanas.