Socioambiental

"Comunidade de Magé transforma desastre ambiental em exemplo de recuperação e educação ambiental"

Pescadores de Magé revitalizaram a Baía de Guanabara ao replantar manguezais, criando o Parque Natural Municipal Barão de Mauá, um exemplo de recuperação ambiental e educação. Após o desastre de 2000, a comunidade se uniu para restaurar o ecossistema, promovendo biodiversidade e renda local. O parque, com 113,7 hectares, agora abriga mais de cem espécies e é um modelo de resistência.

Atualizado em
June 5, 2025
Clock Icon
4
min
Trabalho coletivo de pescadores de Magé traz de volta à vida ecossistema devastado por trágico vazamento de óleo na Baía de Guanabara, há mais de 20 anos — Foto: Custódio Coimbra/ Agência O GLOBO

Há 20 anos, a Baía de Guanabara em Magé enfrentou um desastre ambiental significativo. Em 18 de janeiro de 2000, um vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo da Petrobras devastou a região, contaminando a terra e dizimando o manguezal local. Desde então, a área tornou-se um símbolo da degradação ambiental, mas um grupo de pescadores locais decidiu agir. Eles replantaram o ecossistema costeiro, resultando na criação do Parque Natural Municipal Barão de Mauá, inaugurado recentemente.

O parque, que abrange 113,7 hectares, representa um esforço de recuperação e resistência. Adeimantus Carlos da Silva, conhecido como Mantu, é um dos líderes dessa iniciativa. Ele dedicou grande parte de sua vida ao projeto, que inclui a retirada de lixo e o plantio de mudas nativas. Mantu destaca a importância do cuidado contínuo com a área: “Quando começamos, muita gente achou que era só plantar e ir embora. Mas a gente ficou. A gente cuidou.”

A recuperação do manguezal trouxe de volta a biodiversidade, com mais de 50 mil mudas de espécies nativas plantadas. O local agora abriga mais de cem espécies de aves, mamíferos, répteis e crustáceos. Arenildo Vieira Navega, caranguejeiro da região, observa que o mangue renasceu e se tornou um berçário natural, essencial para a pesca local. Ele afirma que “o caranguejo se alimenta da folha do mangue. Se não tem folha, não tem vida.”

O projeto também tem atraído a atenção de pesquisadores de instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), que estudam a área. O secretário de Meio Ambiente de Magé, Carlos Henrique Rios Lemos, menciona que outras prefeituras estão interessadas em replicar a tecnologia utilizada no parque para revitalizar manguezais em suas regiões.

Apesar dos avanços, a luta pela preservação continua. O projeto Águas da Guanabara, que removeu 1,2 mil toneladas de resíduos em três anos, é um exemplo de como a comunidade está se mobilizando para limpar a área. Elaine Cristina, presidente da Colônia Z9, destaca que a iniciativa ajudou a formar uma consciência coletiva sobre a importância da preservação ambiental.

O Estado do Rio de Janeiro registrou um aumento na cobertura florestal, com a Mata Atlântica expandindo de 30% para 32% do território. O trabalho em Magé é um exemplo positivo em um cenário ainda crítico, onde muitos rios permanecem poluídos. A recuperação ambiental depende da articulação local e da participação da comunidade. Nessa situação, nossa união pode ajudar a fortalecer projetos que promovem a recuperação e a preservação do meio ambiente.

Leia mais

Amazônia: bioeconomia pode gerar R$ 45 bilhões e 830 mil empregos até 2050, aponta estudo do WRI
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Amazônia: bioeconomia pode gerar R$ 45 bilhões e 830 mil empregos até 2050, aponta estudo do WRI
News Card

Estudo do World Resources Institute revela que a bioeconomia na Amazônia pode adicionar R$ 45 bilhões ao PIB do Brasil e gerar 830 mil empregos até 2050, destacando a importância da biodiversidade e do conhecimento local.

Frente fria provoca queda acentuada nas temperaturas em São Paulo e mobiliza ações de assistência social
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Frente fria provoca queda acentuada nas temperaturas em São Paulo e mobiliza ações de assistência social
News Card

Frente fria traz temperaturas extremas a São Paulo, com mínimas de até 3°C. A prefeitura já atendeu mais de 21 mil pessoas em situação de vulnerabilidade, distribuindo itens essenciais.

Amazônia Legal concentra as dez cidades com pior qualidade de vida do Brasil, aponta estudo do Imazon
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Amazônia Legal concentra as dez cidades com pior qualidade de vida do Brasil, aponta estudo do Imazon
News Card

Um estudo do Imazon revela que as dez cidades com a pior qualidade de vida do Brasil estão na Amazônia Legal, com Uiramutã, em Roraima, liderando o ranking negativo. A pesquisa destaca a fragilidade social e ambiental da região.

Governo inicia operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó e busca alternativas de renda para indígenas
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Governo inicia operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó e busca alternativas de renda para indígenas
News Card

Lideranças kayapós exigem alternativas de renda ao governo Lula durante operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó, marcada pela presença de garimpos ilegais e cooptação de indígenas. A ação visa restaurar a integridade territorial e promover desenvolvimento sustentável.

Victor Hermann explora a 'zona cinza' da classe média em meio a catástrofes socioambientais
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Victor Hermann explora a 'zona cinza' da classe média em meio a catástrofes socioambientais
News Card

Victor Hermann lança "Zona Cinza", um livro que examina a desresponsabilização da classe média diante de catástrofes socioambientais, propondo a arte como resposta à crise. A obra reflete sobre a inércia e a necessidade de assumir responsabilidades em um mundo em risco.

Incêndios no Pantanal deixam marcas profundas em comunidades ribeirinhas e afetam saúde e educação
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Incêndios no Pantanal deixam marcas profundas em comunidades ribeirinhas e afetam saúde e educação
News Card

Moradores da comunidade ribeirinha Aterro do Binega enfrentam sérios problemas de saúde mental e física devido às queimadas no Pantanal, reivindicando uma unidade de saúde local. A situação se agrava com a dificuldade de acesso a tratamentos médicos em Corumbá.