Impacto Social

Cooperativas ganham destaque global em 2025 como modelo sustentável para um mundo mais justo e próspero

A ONU declarou 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, destacando seu papel na construção de um mundo melhor e alinhando-se à COP30 no Brasil, que compartilhará experiências de cooperativismo sustentável.

Atualizado em
April 29, 2025
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Marcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB - Divulgação

Em uma iniciativa que visa promover o cooperativismo, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, com o tema "Cooperativas Constroem um Mundo Melhor". Essa celebração destaca a importância desse modelo de negócio sustentável, que tem se mostrado eficaz no enfrentamento de desafios ambientais, econômicos e sociais. O Brasil, que sediará a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), se beneficiará desse reconhecimento, compartilhando experiências locais de cooperativismo sustentável.

As cooperativas no Brasil estão organizadas em sete ramos principais: agropecuária, crédito, transporte, trabalho, saúde, consumo e infraestrutura. Na agropecuária, cerca de quarenta e oito por cento da produção rural passa por cooperativas. No setor de crédito, as cooperativas têm crescido a um ritmo acelerado, com mais de setenta e quatro mil cooperativas e aproximadamente dezessete milhões de associados, apresentando um crescimento de vinte e três vírgula nove por cento em comparação a dez por cento das demais instituições financeiras em 2023.

Globalmente, mais de doze por cento da população participa de alguma das três milhões de cooperativas existentes, que geram cerca de duzentos e oitenta milhões de empregos, representando dez por cento da força de trabalho mundial. As trezentas maiores cooperativas têm um faturamento global de dois trilhões e quatrocentos e nove bilhões de dólares, conforme dados do Monitor Mundial das Cooperativas.

Marcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), enfatiza que o cooperativismo integra pequenas comunidades à cadeia produtiva, reduzindo desigualdades e promovendo redes de solidariedade. Ele acredita que as experiências brasileiras podem ser replicadas em diferentes contextos, respeitando as particularidades regionais. A iniciativa da ONU também visa promover o intercâmbio de boas práticas entre países, consolidando o cooperativismo como uma solução para uma economia mais justa e solidária.

Fernando Dall’Agnese, presidente do conselho de administração do Sicredi, ressalta que a ONU reconhece a contribuição das cooperativas na erradicação da pobreza e no combate às mudanças climáticas. O Sicredi, que reúne mais de cento e três cooperativas de crédito, atua em mais de dois mil municípios, promovendo inclusão financeira e desenvolvimento econômico. Um estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) aponta que as cooperativas geram um aumento de dez por cento no PIB per capita e quinze vírgula um por cento mais vagas de emprego nas comunidades onde operam.

As cooperativas se diferenciam por reinvestirem seus excedentes em benefício dos cooperados, o que contribui para o sucesso em iniciativas de sustentabilidade. Freitas destaca que a gestão democrática e o modelo "um cooperado, um voto" garantem que os resultados econômicos sejam revertidos em benefícios coletivos, como acesso ao crédito e capacitação. Ele afirma que a solidariedade e a cooperação são essenciais para a sobrevivência coletiva, e as cooperativas demonstram que é possível unir prosperidade econômica, justiça social e preservação ambiental.

Em um momento em que a solidariedade se torna crucial, a união em torno de projetos que promovem o cooperativismo pode trazer mudanças significativas para as comunidades. A mobilização em torno dessas iniciativas pode ajudar a fortalecer o desenvolvimento econômico e social, beneficiando aqueles que mais precisam e promovendo um futuro mais justo e sustentável.

Folha de São Paulo
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