Socioambiental

COP30 em Belém: uma oportunidade para transformar a Amazônia em modelo de desenvolvimento sustentável e justo

A COP30 ocorrerá em Belém do Pará, de 10 a 21 de novembro de 2025, destacando a Amazônia e suas desigualdades sociais. A conferência busca promover um desenvolvimento que respeite saberes locais e a biodiversidade.

Atualizado em
August 19, 2025
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Vista aérea do Parque da Cidade, em Belém (PA), cidade que sediará a COP30 - Alessandro Falco/Folhapress

De 10 a 21 de novembro de 2025, Belém do Pará será o centro das atenções globais ao sediar a COP30, a maior conferência climática do mundo. Este evento, realizado pela primeira vez na Amazônia, destaca a relevância da região nas discussões sobre mudanças climáticas. No entanto, a escolha também revela uma contradição significativa: enquanto Belém possui uma rica biodiversidade, mais de 40% de sua população enfrenta a falta de acesso a saneamento básico, refletindo profundas desigualdades sociais.

A infraestrutura urbana da cidade é precária e os efeitos da crise climática já impactam as comunidades mais vulneráveis, exacerbando a exclusão social. O racismo ambiental agrava ainda mais essa situação, impedindo que populações inteiras tenham acesso a direitos fundamentais. Este cenário levanta questões sobre o modelo de desenvolvimento que está sendo proposto para a Amazônia, uma região que deve ser respeitada e não apenas explorada.

O pensador quilombola Nego Bispo, falecido em 2023, criticava a ideia de "desenvolvimento" como uma abordagem que desconsidera modos de vida alternativos. Ele defendia o conceito de "envolvimento sustentável", que prioriza a escuta e a relação com o território e seus saberes. Essa mudança de mentalidade é essencial para promover um desenvolvimento que respeite a cultura local e a biodiversidade.

No Brasil, o ecossistema de impacto está se tornando um agente importante nessa transição. Centenas de negócios, cooperativas e organizações sociais estão focadas em gerar impacto socioambiental positivo, muitas delas enraizadas na Amazônia. No entanto, esses esforços frequentemente permanecem invisíveis nas decisões políticas e econômicas, enfrentando desafios como a falta de capital e apoio estratégico.

Um exemplo significativo é a Assobio (Associação de Negócios da Sociobiodiversidade da Amazônia), que articula empreendimentos e comunidades que produzem desde óleos vegetais até cosméticos naturais. Outro exemplo é a HuNin, um hub de impacto que conecta empreendedores e investidores em busca de soluções regenerativas. Essas iniciativas demonstram que é possível gerar renda e preservar a floresta ao mesmo tempo.

A COP30 representa uma oportunidade única para dar visibilidade a essas ações que já promovem a transição climática com justiça social. Para que isso aconteça, é fundamental garantir acesso a recursos financeiros e políticas públicas eficazes. A união em torno dessas causas pode fazer a diferença, ajudando a fortalecer as vozes dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que estão na linha de frente dessa transformação.

Folha de São Paulo
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