Meio Ambiente

COP30 propõe novas abordagens para combater mudanças climáticas e destaca papel de comunidades afrodescendentes

A COP30 critica métodos ultrapassados no combate às mudanças climáticas e propõe um sistema de "contribuições autodeterminadas", sem mencionar combustíveis fósseis. O foco é integrar mais atores na luta climática.

Atualizado em
May 8, 2025
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André Corrêa do Lago (dir), presidente da COP, e Ana Toni, CEO da conferência. - Evatristo Sa - 10.mar.25/AFP

A presidência da COP30, conferência de clima da ONU, divulgou sua segunda carta, criticando métodos ultrapassados no combate às mudanças climáticas e propondo novos mecanismos. O documento não menciona explicitamente os combustíveis fósseis, apesar de sua relevância nas emissões globais. A proposta inclui um sistema de "contribuições autodeterminadas" para iniciativas de combate ao aquecimento global, lideradas por setores privados e pela sociedade civil.

Assinada pelo presidente da COP30 e embaixador André Corrêa do Lago, a carta destaca a importância das comunidades afrodescendentes no debate climático, uma inclusão que não estava presente no primeiro documento e que foi criticada por organizações representativas. A conferência, realizada em Belém, tem como objetivo rever as metas do Acordo de Paris, especialmente considerando que a temperatura global já aumentou 1,5 ºC em relação à era pré-industrial.

A COP30 também herda a missão de destravar o financiamento climático, um dos principais obstáculos das conferências anteriores. O embaixador Corrêa do Lago afirmou que a conferência precisa elaborar um plano para mobilizar US$ 1,3 trilhão anualmente para enfrentar as mudanças climáticas. A primeira carta foi criticada por mencionar os combustíveis fósseis apenas uma vez, e nesta segunda não houve nenhuma referência ao tema, que é crucial nas discussões sobre emissões.

Embora a questão dos combustíveis fósseis não tenha sido abordada diretamente, Corrêa do Lago garantiu que o assunto será tratado de forma significativa na próxima carta. Ele ressaltou que os combustíveis fósseis são responsáveis por 70% das emissões globais e que a transição para a redução dessa exploração é uma meta nacional do Brasil. A CEO da conferência, Ana Toni, também mencionou que o tema está implícito em todos os círculos de debate.

A nova carta detalha como a presidência pretende implementar mutirões globais contra a emergência climática, aglutinando iniciativas existentes para inspirar novas ações. O sistema permitirá que instituições não governamentais registrem suas iniciativas e resultados, promovendo um compartilhamento de dados e experiências que podem beneficiar ações em diferentes partes do mundo.

O documento critica a abordagem atual das estratégias de combate ao aquecimento global, sugerindo que a comunidade internacional deve revisar seus instrumentos de governança. A carta enfatiza a necessidade de integrar mais atores além dos governos nas ações climáticas. Em tempos de crise climática, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a proteção do meio ambiente e a promoção de soluções sustentáveis.

Folha de São Paulo
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