Meio Ambiente

Crise climática avança com revogação de regulamentos nos EUA e novas descobertas de petróleo no Brasil

A revogação da "constatação de perigo" pela Agência Ambiental Americana (EPA) e a exploração de petróleo na República Democrática do Congo intensificam a crise climática, desafiando o Acordo de Paris.

Atualizado em
August 17, 2025
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Ilustração - Luciano Salles/Folhapress

Recentemente, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) anunciou a revogação da "constatação de perigo", uma norma de dois mil e nove que fundamentava a regulação das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Essa decisão enfraquece as regras sobre emissões de veículos e usinas de energia, permitindo uma maior liberdade para a indústria de óleo e gás. Políticos conservadores e representantes do setor comemoraram a medida, que foi descrita por um artigo do Wall Street Journal como um "Dia da Libertação" da regulação climática.

Além dos EUA, a República Democrática do Congo está oferecendo em licitação uma vasta área de 124 milhões de hectares para exploração de petróleo, que inclui florestas tropicais primárias e habitats de espécies ameaçadas. No Brasil, a BP anunciou sua maior descoberta de petróleo em 25 anos, o que indica uma mudança na estratégia da empresa, com menos foco em energias renováveis. A revista The Economist reconheceu a resistência política crescente e sugeriu que os governos tratem as metas climáticas como orientações, em vez de compromissos obrigatórios.

Esses eventos geram incertezas sobre a capacidade global de enfrentar a crise climática. O Acordo de Paris, assinado em dois mil e quinze por 195 países, visava alcançar a neutralidade climática até meados do século, mas as ações recentes indicam um desvio desse caminho. A falta de um processo coordenado e racional para combater as mudanças climáticas sugere que a transição para energias renováveis será impulsionada por inovações tecnológicas e interesses conflitantes, em vez de um consenso científico.

A energia solar, conforme reportado pela revista The New Yorker, tornou-se a alternativa mais eficiente economicamente nos últimos dois anos. Projeções indicam que, até dois mil e trinta e cinco, a energia solar poderá ser a principal fonte de energia do planeta. Essa mudança não apenas representa uma vantagem econômica, mas também oferece segurança energética para as nações, dada a abundância e ubiquidade dessa fonte.

Embora a transição para energias renováveis pareça inevitável, a questão crucial permanece: será rápida o suficiente para evitar um aumento de temperatura global superior a dois graus Celsius em relação aos níveis pré-Revolução Industrial? A coordenação global para implementar o Acordo de Paris deve ser vista como um agente catalisador, promovendo a adoção de energias renováveis e penalizando as emissões de GEE.

As reações contra a regulação climática refletem tentativas de retardar essa evolução tecnológica. Exemplos históricos mostram que mudanças necessárias enfrentaram forte resistência. Portanto, é essencial que a sociedade civil se mobilize em apoio a iniciativas que promovam a implementação do Acordo de Paris e enfrentem as tentativas de desestabilização do processo de redução de emissões. A união em torno de causas ambientais pode ser fundamental para garantir um futuro sustentável.

Folha de São Paulo
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