Cidadania

Desigualdade salarial persiste: mulheres ganham 20,9% a menos que homens em grandes empresas brasileiras

O terceiro Relatório de Transparência Salarial e Igualdade revela que a disparidade salarial entre homens e mulheres aumentou para 20,9%. O Ministério do Trabalho destaca a necessidade de ações efetivas.

Atualizado em
April 10, 2025
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Salário é trava na busca por equidade: Mulheres recebem 20% menos — Foto: Editoria de Arte/O Globo

O terceiro Relatório de Transparência Salarial e Igualdade, publicado pelo Ministério do Trabalho, revela que a diferença salarial média entre homens e mulheres aumentou para 20,9%. Os dados são oriundos do Relatório Anual de Informações Sociais (Rais) de 2024, que abrange 53.014 estabelecimentos com cem ou mais empregados e analisa 19 milhões de vínculos, um milhão a mais que em 2023. A remuneração média dos homens é de R$ 4.745,53, enquanto as mulheres recebem R$ 3.755,01.

O relatório também destaca a situação das mulheres negras, que têm um salário médio de R$ 2.864,39, significativamente inferior ao dos homens negros, que ganham R$ 3.647,97. Apesar do aumento na participação das mulheres negras no mercado de trabalho, que passou de 3,2 milhões para 3,8 milhões, a desigualdade salarial continua a ser um desafio. O número de estabelecimentos com, no máximo, 10% de mulheres negras caiu de 21.680 para 20.452.

Além disso, o relatório aponta que a diferença salarial entre homens e mulheres em cargos de direção e gerência é alarmante, com as mulheres recebendo apenas 73,2% do salário dos homens. Para profissionais com nível superior, essa porcentagem é de 68,5%, enquanto as trabalhadoras em serviços administrativos recebem 79,8% dos salários masculinos. Estados como Acre, Santa Catarina e São Paulo apresentam as menores desigualdades salariais.

A lei sancionada em julho de 2023, que visa promover a igualdade salarial, exige que empresas com mais de 100 empregados implementem medidas para garantir essa igualdade. As ações incluem a transparência salarial, fiscalização contra discriminação, canais para denúncias e programas de diversidade e inclusão, além de incentivo à capacitação de mulheres.

Os dados do relatório revelam que, embora haja um crescimento na participação das mulheres no mercado de trabalho, a disparidade salarial continua a ser um problema persistente. A evolução dos números, de um relatório para outro, demonstra que as medidas adotadas ainda não são suficientes para eliminar essa desigualdade.

Nessa situação, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a igualdade salarial e a inclusão das mulheres no mercado de trabalho. Projetos que visem a capacitação e a valorização das mulheres podem fazer a diferença e ajudar a transformar essa realidade.

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