Meio Ambiente

Desmatamento na Amazônia aumenta risco de malária, aponta estudo sobre saúde e conservação florestal

Uma pesquisa revela que 50% de desmatamento na Amazônia Legal aumenta o risco de malária, destacando a urgência de ações de conservação florestal e controle de vetores para combater a doença.

Atualizado em
August 20, 2025
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Armadilha luminosa para mosquitos em borda de mata: investigação coletou vetores Anopheles e amostras de sangue de moradores de Cruzeiro do Sul (AC) (foto: Fredy Galvis/Amazônia+10)

Uma pesquisa recente publicada na revista Acta Tropica revela que a cobertura florestal intermediária, com cinquenta por cento de desmatamento, aumenta o risco de malária na Amazônia Legal. O estudo, realizado em Cruzeiro do Sul, no Acre, destaca que a destruição da floresta está diretamente ligada ao aumento de casos da doença e à infecção por mosquitos do gênero Anopheles, especialmente do subgênero Nyssorhynchus. A pesquisa reforça a urgência de integrar o controle de vetores com a conservação florestal.

Os pesquisadores coletaram dados em quarenta pontos da região, que é considerada um hotspot de malária. Apesar das intervenções realizadas na última década, os ciclos endêmicos da doença persistem. O biólogo Gabriel Laporta, autor correspondente do artigo, afirma que o risco de transmissão é maior quando há uma proporção de cinquenta por cento de mata nativa próxima a áreas habitadas. O risco diminui em ambientes completamente desmatados ou quando a floresta é restaurada para níveis superiores a setenta por cento.

O estudo utilizou dados sobre a abundância e taxas de infecção dos mosquitos vetores, além de amostras de sangue de moradores locais. Os resultados mostraram que a estrutura da paisagem influencia significativamente a transmissão da malária. A pesquisa anterior de Laporta já havia indicado um aumento do risco de malária associado ao desmatamento, com picos de incidência em períodos específicos após o início de assentamentos rurais.

Além do desmatamento, fatores como a perda de biodiversidade e mudanças climáticas também contribuem para a propagação da malária. O aumento das temperaturas e a variação nas chuvas criam condições favoráveis para os mosquitos. Medidas de vigilância em saúde e atenção a populações vulneráveis são essenciais para enfrentar o problema, especialmente em um contexto de crise climática.

A pesquisa destaca que a eliminação da malária requer não apenas tratamentos eficazes, mas também estratégias abrangentes de controle de vetores. A conservação da biodiversidade em áreas florestais é fundamental para tornar o ambiente menos favorável aos mosquitos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em dois mil e vinte e três, houve duzentos e sessenta e três milhões de casos de malária no mundo, com cerca de quinhentas e noventa e sete mil mortes.

Com a malária sendo um problema de saúde pública global, iniciativas que promovam a conservação florestal e o controle de vetores são essenciais. A união da sociedade civil pode ser um fator decisivo para apoiar projetos que visem a proteção do meio ambiente e a saúde das populações afetadas. Juntos, podemos fazer a diferença e ajudar a combater essa doença que afeta tantas vidas.

Agência FAPESP
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