Meio Ambiente

Desmatamento na Mata Atlântica recua 14%, mas ainda preocupa especialistas com área devastada acima do ideal

O desmatamento na Mata Atlântica caiu 14% em 2024, mas ainda é considerado elevado. A agricultura e desastres naturais, como a tempestade no Rio Grande do Sul, foram os principais responsáveis pela destruição. O governo lançou um plano até 2027 para combater o desmate.

Atualizado em
May 19, 2025
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Rio Grande do Sul perdeu 3.307 ha de Mata Atlântica em 2024 Foto: Cassio Aranovich/SOS Mata Atlântica

O desmatamento na Mata Atlântica apresentou uma redução de quatorze por cento em 2024, conforme dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da ONG SOS Mata Atlântica. Apesar da diminuição, o diretor executivo da organização, Luís Fernando Guedes Pinto, considera a queda tímida, uma vez que a área desmatada ainda equivale a mais do que o dobro da área de Paris. O total de vegetação perdida caiu de oitenta e dois mil quinhentos hectares em 2023 para setenta e um mil cem hectares.

Os principais fatores que contribuíram para essa destruição foram a expansão agrícola e desastres naturais, como a tempestade recorde que atingiu o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024. A agricultura, incluindo pastagens, eucalipto e soja, foi responsável por sessenta e seis mil quinhentos e vinte seis hectares de desmatamento. A situação é preocupante, pois apenas vinte e quatro por cento da Mata Atlântica original permanece intacta.

O Ministério do Meio Ambiente finalizou um plano de combate ao desmatamento e queimadas, estabelecendo metas até 2027. A estratégia inclui ações de fiscalização, cerco judicial contra criminosos ambientais e investimentos em bioeconomia e ecoturismo. O ministério também implementa medidas como a restrição de crédito rural para infratores e operações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Além disso, a destruição da vegetação aumentou a vulnerabilidade das encostas a deslizamentos, especialmente em áreas afetadas por chuvas intensas. O litoral norte paulista, por exemplo, enfrentou uma chuva sem precedentes em fevereiro de 2023, agravando a situação. O governo do Rio Grande do Sul iniciou iniciativas para recuperar florestas, utilizando técnicas inovadoras como a semeadura aérea com helicópteros.

O terceiro maior vetor de destruição é a expansão urbana, que ocorre nas proximidades de grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Apesar de uma boa notícia com a queda do desmatamento em Paraná e Santa Catarina, a maior parte do desmate na Mata Atlântica é ilegal, principalmente em áreas privadas. A falta de transparência e integração de dados sobre autorizações de desmatamento é um desafio para a atuação conjunta entre União, Estados e municípios.

O cenário de regularização fundiária na região pode ajudar a mapear e punir responsáveis pelo desmatamento irregular. Em 2024, foram registrados seiscentos e trinta e um Autos de Infração Ambiental no Vale do Ribeira, em São Paulo. A preservação das florestas é uma responsabilidade compartilhada, e a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar projetos que visem a recuperação e proteção desse bioma tão importante.

Estadão
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