Meio Ambiente

Espuma tóxica cobre o Rio Tietê em Salto e afeta turismo na região durante a estiagem

Espuma tóxica cobre o Rio Tietê em Salto, afastando turistas e evidenciando a poluição crônica. Sabesp e governo paulista prometem investimentos de R$ 90 bilhões até 2029 para despoluição e saneamento.

Atualizado em
August 4, 2025
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Imagens de drone registram espuma cobrindo boa parte do Rio Tietê, em Salto — Foto: Reprodução/Instagram/dvisionimagens

Densas camadas de espuma tóxica cobrem o Rio Tietê na região de Salto, interior de São Paulo, há três dias. Esse fenômeno, causado pelo acúmulo de resíduos como detergentes e sabão em pó, é comum durante a estiagem. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) intensificou as fiscalizações nas estações de tratamento de esgoto e aplica multas para combater a poluição. O fotógrafo Daniel Santos, que documenta a poluição na região há mais de dez anos, registrou a espuma em imagens feitas com drone.

Santos, morador de Salto, observa que a formação de espuma ocorre anualmente nesse período seco. Ele relata que a poluição afasta turistas, que são atraídos pelas belezas naturais da cidade. "A espuma tem um cheiro forte, causando náuseas e ardência nos olhos", afirma. A diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, explica que a baixa vazão do rio e a alta concentração de poluentes contribuem para o fenômeno.

Ribeiro também menciona o rompimento de uma rede coletora de esgoto na Marginal do Tietê, que aumentou a carga poluidora no rio. A Sabesp, por sua vez, afirma que a formação de espuma é um problema histórico, resultado de décadas de despejo irregular de efluentes industriais e esgoto sem tratamento. O diretor de engenharia da Sabesp, Roberval Tavares, destaca que a despoluição do Tietê ainda não chegou a Salto e que 34% do esgoto na Região Metropolitana de São Paulo não é tratado.

A Sabesp está investindo cerca de R$ 70 bilhões para universalizar o saneamento em 377 municípios até 2029. A empresa promete ações concretas para melhorar a qualidade dos corpos hídricos. O Governo de São Paulo, através do programa IntegraTietê, planeja investir R$ 20 bilhões em saneamento básico até 2029, além de implantar redes de esgoto em 2,2 milhões de domicílios.

Em 2023, a CETESB realizou 324 coletas de amostras e 114 vistorias em estações de tratamento e indústrias. Foram aplicadas penalidades que somam R$ 3,8 milhões. O governo também investe em limpeza e desassoreamento do rio, retirando mais de 3,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos. Apesar dos esforços, Santos expressa desânimo em relação a mudanças significativas, afirmando que não vê esperança de melhorias no curto prazo.

Essa situação crítica no Rio Tietê destaca a necessidade urgente de ações coletivas para a recuperação ambiental. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a preservação dos recursos hídricos e a promoção de um turismo sustentável na região. Mobilizações e projetos comunitários podem fazer a diferença na luta contra a poluição e na valorização das belezas naturais de Salto.

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