Impacto Social

"Estudo inédito analisa custos das Unidades Básicas de Saúde Fluviais na Amazônia e propõe melhorias"

Uma dissertação de mestrado na Fiocruz analisou os custos das Unidades Básicas de Saúde Fluvial na Amazônia, totalizando R$ 761.705,87, e destacou a necessidade de novas pesquisas para aprimorar a estratégia de saúde.

Atualizado em
May 12, 2025
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Inserida há doze anos na Política Nacional de Atenção Primária do Ministério da Saúde, a Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) é uma estratégia única no Brasil, voltada para atender populações ribeirinhas na Amazônia. Recentemente, uma dissertação de mestrado da Fiocruz analisou os custos operacionais das UBSFs, revelando um gasto total de R$ 761.705,87. O estudo, que se concentrou em uma UBSF no município de Tefé, a 523 quilômetros de Manaus, é um marco na avaliação da saúde coletiva no país.

O autor da pesquisa, Cláudio Pontes, destacou que os principais custos foram com recursos humanos (64,62%), insumos de saúde (17,72%) e combustível (12,11%). Durante o período analisado, foram realizadas nove viagens, atendendo dez áreas e trinta comunidades. A dissertação foi publicada na coleção britânica Intechopen, contribuindo para o entendimento dos custos da Atenção Primária à Saúde (APS) em contextos fluviais e rurais.

O estudo também apontou que os repasses federais e municipais são suficientes para as operações durante a cheia dos rios, mas não foram feitas estimativas para o período da seca, quando os custos aumentam significativamente. Pontes recomenda novas pesquisas sobre custo-efetividade e eficiência das UBSFs, além de destacar a falta de controle informatizado e a ausência de comparações com outras unidades de saúde.

Os desafios enfrentados pelas populações ribeirinhas incluem o acesso limitado a serviços de saúde, com uma média de 4,2 horas para alcançar áreas urbanas. Além disso, a sazonalidade dos rios e as condições climáticas dificultam o transporte e a logística. A pesquisa revelou altas taxas de doenças, como hipertensão, que afetam 26% da população adulta, e a desigualdade histórica no acesso a cuidados médicos.

Cláudio Pontes e Rodrigo Tobias, seu orientador, enfatizam a importância do estudo como referência para a saúde fluvial. Atualmente, eles realizam uma pesquisa para promover um diagnóstico situacional das cinquenta e quatro UBSFs cadastradas na Amazônia. Esse diagnóstico é crucial para entender as condições de financiamento e identificar oportunidades e desafios na implementação da APS em regiões ribeirinhas.

Com a análise dos custos e desafios, é possível que ações sejam tomadas para reativar embarcações e ampliar a oferta de serviços de saúde na região. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que melhorem a saúde das populações ribeirinhas, garantindo o direito universal à saúde em contextos tão desafiadores.

Medicina S/A
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