Meio Ambiente

Geleiras do mundo enfrentam derretimento irreversível, mas ações climáticas podem mitigar perdas significativas

Estudo revela que as geleiras do mundo continuarão a derreter, mesmo com ações climáticas. Limitar o aquecimento a 1,5 °C pode preservar o dobro do gelo em um milênio, evitando consequências severas.

Atualizado em
May 31, 2025
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A geleira Lewis no Monte Quênia, uma das poucas geleiras na África, em março — Foto: Luis Tato/Agence France-Presse

Um novo estudo revela que as geleiras do mundo estão em um caminho de perda significativa de massa nos próximos séculos, independentemente das ações para mitigar as mudanças climáticas. Mesmo que as temperaturas globais se estabilizassem nos níveis atuais por mil anos, as geleiras fora das calotas polares ainda perderiam cerca de um terço de sua massa. No entanto, limitar o aquecimento a 1,5 °C poderia preservar o dobro do gelo em um milênio em comparação com um cenário de aquecimento de 2,7 °C, que é a trajetória atual prevista para 2100.

A modeladora glacial da Universidade de Innsbruck, Lilian Schuster, que liderou a pesquisa publicada na revista Science, afirmou que cada décimo de grau a menos de aquecimento ajudará a preservar o gelo glacial. As calotas polares da Antártida e da Groenlândia são frequentemente mencionadas nas discussões sobre mudanças climáticas, pois seu derretimento pode elevar o nível do mar em mais de 60 metros, ameaçando cidades costeiras. Contudo, as geleiras montanhosas, embora representem menos de 0,5% do gelo global, também têm um impacto significativo, contribuindo com cerca de 30 centímetros para o aumento do nível do mar se derreterem completamente.

Além do aumento do nível do mar, o derretimento das geleiras pode aumentar o risco de enchentes e deslizamentos de terra. Recentemente, um colapso glacial na Suíça causou a destruição de uma vila alpina. As geleiras, por serem menores, derretem mais rapidamente do que as calotas polares, e essa perda pode afetar comunidades que dependem delas para água potável, irrigação e energia hidrelétrica.

O estudo utilizou oito modelos diferentes para analisar a reação de mais de 200 mil geleiras a 80 cenários climáticos ao longo de milhares de anos. Mesmo com um aquecimento estabilizado em 1,2 °C, as geleiras ainda perderiam volumes significativos de gelo, contribuindo com cerca de 10 centímetros para o aumento do nível do mar. A pesquisa indica que geleiras maiores e mais planas respondem mais lentamente às mudanças climáticas, levando séculos ou milênios para se estabilizar.

Os cientistas ressaltam que, mesmo que uma grande parte das geleiras seja perdida, políticas de mitigação climática e redução de emissões podem evitar cenários extremos e preservar as maiores geleiras. O glaciologista Mauri Pelto, do Nichols College, enfatizou que ainda há tempo para preservar essas geleiras, destacando a importância de ações coletivas para enfrentar a crise climática.

Com a crescente preocupação sobre o derretimento das geleiras e suas consequências, é fundamental que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que visem a preservação do meio ambiente. Projetos que promovem a conscientização e a ação em prol da natureza podem fazer a diferença e ajudar a mitigar os impactos das mudanças climáticas nas comunidades afetadas.

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