Socioambiental

Geraldo Gomes preserva a tradição de guardar sementes e promove a agroecologia no semiárido mineiro

Geraldo Gomes, guardião de sementes crioulas, preserva mais de 200 variedades em sua roça agroecológica no semiárido de Minas Gerais, promovendo a biodiversidade e a cultura local. Ele busca transformar sua casa de sementes em um museu, enfrentando desafios como a monocultura e as mudanças climáticas.

Atualizado em
August 1, 2025
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Denise Matsumoto

Geraldo Gomes, um destacado guardião de sementes crioulas, preserva mais de duzentas variedades em sua roça agroecológica na comunidade de Touro, em Serranópolis de Minas, no norte de Minas Gerais. Com 62 anos, ele mantém viva a tradição familiar de guardar e trocar sementes, uma prática que aprendeu com seu pai e avô. Em sua casa, ele exibe uma coleção impressionante de sementes e licores feitos a partir de plantas cultivadas em sua propriedade, refletindo a rica biodiversidade da região.

Seu Geraldo começou a trabalhar na roça aos sete anos, seguindo os ensinamentos de seus antepassados, que acreditavam na importância da diversidade agrícola. Ele destaca que a agricultura familiar no semiárido é realizada sem o uso de agrotóxicos, priorizando a saúde das comunidades e a preservação do meio ambiente. “A roça tem que ser igual mato, tem que ter diversas plantas”, afirma, enfatizando a necessidade de manter as variedades tradicionais.

O agricultor também enfrenta desafios significativos, como a contaminação da água e a pressão da monocultura, que tem se expandido na região. Ele observa que a utilização de venenos por outros agricultores prejudica sua produção, e lamenta a perda de espécies nativas devido ao desmatamento e à agricultura intensiva. “Hoje, a maioria das espécies está sumindo, seja nativa ou plantada”, alerta, ressaltando a urgência da preservação.

Geraldo Gomes é um membro ativo da Articulação Rosalino Gomes, um coletivo que reúne diversos povos tradicionais da região. O grupo busca fortalecer a identidade cultural e promover a agroecologia, além de lutar contra os impactos negativos da monocultura. A casa de sementes de Geraldo é um espaço de troca de saberes e experiências, atraindo visitantes de diferentes estados e países.

Além de agricultor, ele é também músico e compositor, mantendo viva a tradição musical da sua família. O grupo musical “Seresteiros do Luar”, do qual faz parte, resgata a cultura sertaneja e anima festas na região. Seu Geraldo sonha em transformar sua casa de sementes em um museu, onde possa compartilhar a importância da agricultura familiar e da preservação das sementes crioulas.

A luta de Geraldo Gomes pela preservação da biodiversidade e pela valorização da agricultura familiar é um exemplo inspirador. Projetos como o dele merecem apoio e reconhecimento, pois contribuem para a sustentabilidade e a saúde das comunidades. A união em torno de iniciativas que promovem a agroecologia e a cultura local pode fazer a diferença na preservação do semiárido brasileiro.

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