Educação

"Jonathan Haidt alerta: tecnologia nas escolas prejudica aprendizado e intensifica problemas mentais"

Jonathan Haidt, autor de "A Geração Ansiosa", alerta que a tecnologia prejudica a aprendizagem infantil e defende a proibição de redes sociais para menores de 16 anos, propondo mais investimentos em playgrounds.

Atualizado em
June 2, 2025
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O autor de Geração Ansiosa, Jonathan Haidt, e a deputada Marina Helou (Rede), em encontro em São Paulo. Foto: Iury Carvalho

O psicólogo Jonathan Haidt, autor de "A Geração Ansiosa", alertou que a tecnologia não contribui para a aprendizagem das crianças e adolescentes. Em um encontro em São Paulo, ele enfatizou que o uso de computadores em sala de aula deve ser evitado, pois pode prejudicar a capacidade de concentração dos alunos. Haidt afirmou que, desde 2015, a humanidade pode estar se tornando menos inteligente devido ao avanço das tecnologias, especialmente os smartphones.

Durante o evento, o pesquisador destacou que muitos estudantes universitários têm dificuldades para ler textos e livros, preferindo conteúdos instantâneos e dinâmicos, como os oferecidos por plataformas como TikTok. Ele mencionou que a inteligência artificial (IA) deve ser vista com cautela, pois as interações das crianças com máquinas podem substituir as interações humanas, resultando em consequências negativas para o desenvolvimento social e emocional.

Haidt defendeu a proibição do acesso a redes sociais para menores de 16 anos e sugeriu que o investimento em playgrounds e brincadeiras livres nas escolas poderia ser uma solução mais eficaz e econômica. Ele elogiou o Brasil por suas iniciativas de banir celulares das escolas, mas ressaltou que é necessário avançar na legislação para proteger os jovens das influências prejudiciais das redes sociais.

O pesquisador também abordou a degradação das ideias sobre desenvolvimento sexual entre os jovens, que muitas vezes são moldadas por conteúdos de pornografia disponíveis online. Ele alertou que isso pode afetar negativamente a forma como os adolescentes percebem relacionamentos e interações sociais.

Haidt, que é professor na Universidade de Nova York, compartilhou que já precisa adaptar suas aulas devido à dificuldade dos alunos em se concentrar em textos longos. Ele citou um estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que corrobora sua visão de que a tecnologia na educação não melhora a aprendizagem.

Com a crescente preocupação sobre os impactos da tecnologia na infância, é fundamental que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que promovam um ambiente mais saudável para as crianças. Projetos que incentivem o desenvolvimento de espaços de brincadeira e a desconexão das redes sociais podem fazer uma diferença significativa na formação das novas gerações.

Estadão
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