Meio Ambiente

Justiça Federal autoriza simulado de perfuração de poço da Petrobras na Foz do Amazonas, apesar de protestos ambientais

A Justiça Federal rejeitou o pedido do Ministério Público Federal do Amapá para suspender o simulado de perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, mas exigiu a presença da Funai nas comunicações com comunidades indígenas.

Atualizado em
July 8, 2025
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Parque Nacional do Cabo Orange, no Amapá, durante a maré baixa; área fica na costa da região em que a Petrobras busca explorar petróleo - Lalo de Almeida/Folhapress

A Justiça Federal rejeitou o pedido do Ministério Público Federal do Amapá para suspender o simulado de perfuração de poço para exploração de petróleo no bloco 59 da bacia da Foz do Amazonas, que representa a primeira iniciativa da Petrobras em águas profundas na região. O juiz federal substituto Athos Alexandre Câmara Attiê afirmou que o simulado é uma etapa de verificação e não uma licença operacional definitiva, sendo uma ferramenta para testar planos de mitigação ambiental.

No pedido de liminar, o Ministério Público Federal argumentou que a atividade ocorreria sem estudos adequados sobre os riscos ambientais e impactos nas comunidades tradicionais. O órgão alegou que a autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) violou normas nacionais e internacionais, desconsiderando pareceres técnicos que apontavam falhas no licenciamento ambiental.

O juiz Attiê reconheceu a divergência, mas destacou que isso não configura ilegalidade, desde que a decisão final seja fundamentada. Ele acatou parte do pedido do Ministério Público ao determinar que a comunicação da Petrobras e do Ibama com as comunidades indígenas deve ocorrer com a presença da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), ressaltando a importância de um processo jurídico qualificado para a consulta a essas comunidades.

A Petrobras planeja realizar o simulado na próxima semana, embora a data ainda não tenha sido oficialmente agendada. Técnicos do Ibama estão atualmente vistoriando as embarcações e instalações que serão utilizadas no exercício. A estatal defende que as medidas propostas no licenciamento ambiental são adequadas e suficientes para garantir a segurança das atividades.

Em nota, a Petrobras afirmou que ainda não foi intimada sobre a ação civil pública e reiterou seu compromisso com o desenvolvimento da margem equatorial, além de se mostrar disposta ao diálogo para resolver divergências sobre o tema. A empresa destacou que todos os estudos e exigências solicitadas pelo Ibama estão sendo atendidos.

Essa situação evidencia a necessidade de um debate mais amplo sobre os impactos da exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas. A mobilização da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que busquem proteger o meio ambiente e as comunidades afetadas. A união em torno de causas ambientais pode fazer a diferença na preservação de ecossistemas vulneráveis.

Folha de São Paulo
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