Socioambiental

Justiça Federal suspende licença do Hotel Spa Emiliano em Paraty e exige consulta a comunidades tradicionais

A Justiça Federal suspendeu a licença do Hotel Spa Emiliano em Paraty, exigindo consulta às comunidades tradicionais afetadas, destacando riscos socioambientais e falta de diálogo. A decisão reflete a luta das comunidades contra o projeto.

Atualizado em
August 20, 2025
Clock Icon
4
min
Distribuição das cabanas conforme o projeto do Hotel Spa Emiliano em Paraty (RJ) - Reprodução/MPF

A Justiça Federal suspendeu, na segunda-feira (18), a licença para a instalação do Hotel Spa Emiliano em Paraty, no estado do Rio de Janeiro. A decisão exige a realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras que seriam diretamente impactadas pelo empreendimento. A 1ª Vara Federal de Angra dos Reis apontou que a Prefeitura de Paraty apenas ouviu a comunidade do Saco do Funil, desconsiderando a necessidade de diálogo com os demais povos tradicionais.

O projeto do hotel prevê a construção de sessenta e sete cabanas de luxo em uma zona de manguezal, dentro da área de proteção ambiental (APA) de Cairuçu. A Justiça ressaltou que o terreno está localizado na área central do sítio reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em dois mil e dezenove. A decisão liminar criticou a postura do município, afirmando que demonstra uma negação da realidade social do território e uma tentativa de limitar o debate público.

Uma audiência de conciliação entre as partes está marcada para o início de outubro. A Secretaria Municipal do Ambiente afirmou que está acompanhando o processo e que atuará para garantir que as decisões respeitem as comunidades tradicionais e o patrimônio natural e cultural de Paraty. A pasta destacou que a prioridade é assegurar um desenvolvimento responsável, em conformidade com a legislação ambiental vigente.

O grupo Emiliano aguarda uma decisão definitiva da Justiça e defende que realizou os estudos técnicos exigidos. A empresa afirma que sua atuação se baseia no cumprimento da lei e no diálogo transparente, acreditando que o crescimento deve ocorrer em harmonia com o cuidado pelo local e pelas pessoas. O Ministério Público Federal (MPF) já havia protocolado uma ação civil pública contra o município de Paraty e outras entidades envolvidas no projeto.

O MPF argumenta que o empreendimento pode causar pressão sobre recursos naturais, especulação imobiliária e expulsão de comunidades tradicionais, além de impactos no modo de vida dessas populações. A decisão judicial enfatiza que ignorar esses fatores é uma violação do dever de prevenção. O coordenador do Fórum de Comunidades Tradicionais, Vagner do Nascimento, comemorou a decisão, ressaltando que é uma vitória na luta contra a construção do hotel.

Essa situação evidencia a importância da participação ativa da sociedade civil na defesa dos direitos das comunidades tradicionais. Projetos que buscam proteger o patrimônio cultural e ambiental devem ser apoiados e estimulados, garantindo que as vozes das comunidades afetadas sejam ouvidas e respeitadas. A união em torno de causas como essa pode fazer a diferença na preservação de nossos recursos e culturas.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

Renda das famílias na Caatinga está abaixo do necessário e agrava desertificação na região nordestina
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Renda das famílias na Caatinga está abaixo do necessário e agrava desertificação na região nordestina
News Card

Estudo da Fundação IDH revela que mais de 60% das famílias na Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco vivem abaixo da linha da pobreza, evidenciando a urgência de rendimentos dignos e práticas agrícolas sustentáveis.

Jovens de Paraty se mobilizam em defesa do meio ambiente e barram empreendimentos prejudiciais à biodiversidade
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Jovens de Paraty se mobilizam em defesa do meio ambiente e barram empreendimentos prejudiciais à biodiversidade
News Card

Samyr Mariano, aos 22 anos, lidera o coletivo AMA, que mobiliza jovens em Paraty para a educação ambiental e fiscalização, barrando empreendimentos prejudiciais à biodiversidade e comunidades tradicionais.

Ministro Waldez Góes recebe propostas para fortalecer a pesca artesanal no Amapá e impulsionar o desenvolvimento regional
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Ministro Waldez Góes recebe propostas para fortalecer a pesca artesanal no Amapá e impulsionar o desenvolvimento regional
News Card

Ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, recebeu propostas para o Plano Estadual da Pesca Artesanal do Amapá, visando fortalecer o setor pesqueiro e promover a inclusão da pesca esportiva. A iniciativa busca impulsionar a economia local e melhorar a qualidade de vida das comunidades ribeirinhas, enfrentando desafios climáticos e estruturais.

Governo conclui primeira fase da desintrusão na Terra Indígena Araribóia e reforça proteção aos povos indígenas
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Governo conclui primeira fase da desintrusão na Terra Indígena Araribóia e reforça proteção aos povos indígenas
News Card

O Governo Federal finalizou a primeira fase da Operação de Desintrusão na Terra Indígena Araribóia, resultando em 436 ações e a destruição de 12 mil metros de cercamentos ilegais. A operação, que envolveu 20 órgãos federais, reafirma o compromisso com os direitos dos povos Guajajara e Awá e a proteção ambiental.

MPF busca barrar leilão de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas por falta de estudos ambientais adequados
Socioambiental
Clock Icon
3
min
MPF busca barrar leilão de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas por falta de estudos ambientais adequados
News Card

O Ministério Público Federal (MPF) no Pará ajuizou ação para barrar leilão de petróleo da ANP, agendado para 17 de outubro, devido à ausência de estudos socioambientais adequados. O MPF exige avaliação de impacto climático e consulta a comunidades tradicionais.

Lula sanciona lei que proíbe testes em animais para cosméticos e produtos de higiene no Brasil
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Lula sanciona lei que proíbe testes em animais para cosméticos e produtos de higiene no Brasil
News Card

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 3062/2022, que proíbe testes em animais para produtos de higiene e cosméticos no Brasil, promovendo métodos alternativos e fiscalização bienal. A nova legislação, que complementa a Resolução Normativa nº 58 do CONCEA, reforça o compromisso do país com a ética científica e a proteção animal.