Impacto Social

Keila-Sankofa apresenta 'Confluências dos Olhos D’Água' em São Paulo, unindo arte, memória e ancestralidade indígena

Keila-Sankofa lança a instalação "Confluências dos Olhos D’Água" na exposição "Águas Abertas" em São Paulo, unindo performance e curta-metragem com o povo Pankararu. A obra destaca a força das águas e a memória ancestral.

Atualizado em
August 15, 2025
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Júlio César Almeida

A artista visual e cineasta amazonense Keila-Sankofa está em destaque com sua participação na exposição coletiva "Águas Abertas", que teve início no dia 9 de agosto no Parque Linear Bruno Covas, em São Paulo. A instalação "Confluências dos Olhos D’Água" é uma das principais atrações da mostra, que inclui uma performance, fotografias e um curta-metragem de treze minutos e vinte e um segundos. A obra dialoga com o povo Pankararu, que reside em São Paulo há mais de oitenta anos, e aborda a simbologia das águas subterrâneas da cidade.

A instalação "Confluências" utiliza a cabaça como um símbolo que representa a conexão entre os mundos afrodiaspórico e indígena, evocando rituais de cura e a memória ancestral. Keila-Sankofa destaca a importância de resgatar a força ancestral que permeia as águas, afirmando que "o rio é olho d’água vivo, nascente que ainda pulsa, mesmo quando tentam soterrá-lo". A curadoria da exposição é de Gabriela de Matos e Raphael Bento, que reuniram artistas de diversas cidades brasileiras para refletir sobre os rios urbanos como territórios vivos.

O projeto "Confluências dos Olhos D’Água" foi viabilizado com a colaboração de lideranças e jovens do povo Pankararu, que vivem nas comunidades do Real Parque e da Favela do Panorama, na zona sul de São Paulo. Caynã Pankararu, produtor e pesquisador, e Clarice Pankararu, presidente da Associação SOS Pankararu, foram fundamentais para a realização da obra. Keila-Sankofa enfatiza que sua proposta é abrir espaço para que as águas falem por si mesmas, promovendo uma escuta profunda das vozes que estão sob o concreto da cidade.

Durante a performance de abertura, foram realizados cantos tradicionais, danças e orações, com a cabaça e a cuia como símbolos centrais. A instalação também destaca a presença de outras obras de artistas como Cinthia Marcelle, Coletivo Coletores e Day Rodrigues, que abordam questões sociais e ambientais relacionadas aos rios urbanos.

Além de sua participação em São Paulo, Keila-Sankofa continua a expandir sua obra com projetos audiovisuais. O curta "Alexandrina – Um Relâmpago", que aborda os apagamentos históricos da população negra na Amazônia, foi exibido recentemente em festivais internacionais. Em agosto, ela lançará o filme musical "Herança", que dialoga com sua obra anterior e celebra a ancestralidade afroamazônica.

Keila-Sankofa reafirma sua conexão com a Amazônia, afirmando que suas obras são uma forma de resistência e que a circularidade é uma característica fundamental de sua narrativa. Projetos como os de Keila-Sankofa são essenciais para a valorização das culturas indígenas e afro-brasileiras. A união da sociedade civil pode ser um grande impulso para iniciativas que promovem a arte e a preservação cultural, fortalecendo as vozes que muitas vezes são silenciadas.

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