Impacto Social

Médica neonatologista transforma dor em dignidade com roupas e caixões para bebês que não sobreviveram

A médica neonatologista Lilia Maria Caldas Embiruçu, com vasta experiência em cuidados paliativos, acolhe famílias em luto e promove dignidade na despedida de bebês. A nova lei garante apoio humanizado e capacitação a profissionais de saúde.

Atualizado em
August 7, 2025
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A médica neonatologista Lilia Embiruçu lida diariamente com casos complexos vindos de todo o Estado da Bahia - Vitor Serrano/BBC

A médica neonatologista Lilia Maria Caldas Embiruçu, com uma carreira dedicada ao cuidado de bebês prematuros e em situações críticas na Bahia, tem se destacado por seu trabalho humanizado. Recentemente, foi sancionada a lei que institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, que assegura cuidados a famílias que enfrentam a perda de bebês, além de capacitação para profissionais de saúde. Essa iniciativa é um avanço significativo na abordagem do luto e do acolhimento familiar.

Em seu trabalho no Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador, Lilia lida com casos complexos que chegam de todo o estado. Com uma experiência que inclui a perda de seu pai no dia de sua formatura, ela desenvolveu uma visão sensível sobre a morte e o luto. "A mãe que tem um bebê natimorto é como se ela mesma fosse a urna desse bebê", afirma Lilia, ressaltando a profundidade emocional que envolve essas situações.

O trabalho de Lilia vai além do atendimento médico. Ela confecciona roupinhas e pequenos caixões para bebês que não sobrevivem, garantindo que tenham uma despedida digna. "Você não encontra roupas desse tamanho nas lojas", explica. Essas ações visam proporcionar um ritual de despedida que ajude as famílias a lidarem com a dor da perda, transformando a morte prevista em uma vida vivida, mesmo que por pouco tempo.

Além de roupas e caixões, Lilia também cria caixas de memórias, que podem incluir fotos, cartas e outros itens significativos. Ela acredita que essas lembranças são fundamentais para o processo de luto. "Quando um bebê morre dentro do útero, a mãe está completamente atrelada a essa criança de forma psíquica, mas não tem a dor compreendida pela sociedade", destaca a psicóloga Daniela Bittar, que complementa a importância de se criar memórias mesmo em situações difíceis.

O trabalho de Lilia é um exemplo de como a medicina pode ser humanizada. Ela busca sempre atender às necessidades emocionais das famílias, como quando uma mãe pediu que seu bebê conhecesse o mar. Lilia fez o possível para realizar esse desejo, mostrando que pequenos gestos podem ter um grande impacto na vida das pessoas em momentos de dor.

Iniciativas como a de Lilia são essenciais para promover um cuidado mais humano e acolhedor. A nova lei que garante apoio a famílias em luto é um passo importante, mas a sociedade civil também pode contribuir. Projetos que visam apoiar famílias que enfrentam a perda de um filho são fundamentais e merecem ser estimulados. A união em torno dessas causas pode fazer a diferença na vida de muitas pessoas.

Folha de São Paulo
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