Meio Ambiente

Metade da população mundial enfrenta calor extremo devido às mudanças climáticas causadas pelo homem

Estudo revela que em 2024, quatro bilhões de pessoas enfrentaram um mês extra de calor extremo, evidenciando os impactos das mudanças climáticas e a urgência de eliminar combustíveis fósseis.

Atualizado em
May 30, 2025
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Incêndio na Floresta Nacional de Umatilla, no Oregon (EUA), região vulnerável à mudança climática — Foto: Brendan O'Reilly/USFS

Um estudo recente revelou que metade da população mundial enfrentou um mês adicional de calor extremo em 2024, afetando cerca de quatro bilhões de pessoas. A pesquisa, publicada na sexta-feira, destaca os impactos das mudanças climáticas causadas pela atividade humana, especialmente a queima de combustíveis fósseis, que prejudica a saúde e o bem-estar global, com efeitos mais severos em países em desenvolvimento.

A climatóloga Friederike Otto, do Imperial College de Londres e coautora do relatório, afirmou que "com cada barril de petróleo queimado, cada tonelada de dióxido de carbono liberada e cada fração de grau de aquecimento, as ondas de calor afetarão mais pessoas". O estudo foi realizado pelo grupo World Weather Attribution, em parceria com a ONG Climate Central e o Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

Os pesquisadores analisaram dados entre 1º de maio de 2024 e 1º de maio de 2025, definindo "dias de calor extremo" como aqueles em que as temperaturas superaram 90% das registradas entre 1991 e 2020. Os resultados mostraram que aproximadamente 4 bilhões de pessoas experimentaram pelo menos 30 dias adicionais de calor extremo, com um total de 67 episódios de temperaturas extremas identificados.

A ilha caribenha de Aruba foi a mais afetada, registrando 187 dias de calor extremo, 45 a mais do que o esperado em um cenário sem aquecimento global. O estudo foi publicado após um ano de temperaturas globais recordes, com 2024 sendo o ano mais quente já registrado e janeiro de 2025 apresentando o janeiro mais quente.

Além dos dados alarmantes, o relatório também destacou a falta de informações sobre o impacto do calor na saúde em regiões de baixa renda. Embora a Europa tenha registrado mais de 61 mil mortes relacionadas ao calor no verão de 2022, dados semelhantes são escassos em outras partes do mundo. Os autores do estudo enfatizaram a importância de sistemas de alerta precoce, educação pública e planos de ação adaptados às cidades.

Os pesquisadores alertaram que a adaptação sozinha não será suficiente para enfrentar a crescente gravidade e frequência do calor extremo. A única solução viável é a eliminação rápida e progressiva dos combustíveis fósseis. Em situações como essa, a união da sociedade civil pode fazer a diferença, apoiando iniciativas que visem mitigar os efeitos das mudanças climáticas e proteger os mais vulneráveis.

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