Meio Ambiente

Operador Nacional do Sistema busca aumentar escoamento de energia no Nordeste para projetos de hidrogênio verde

O Operador Nacional do Sistema (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) buscam aumentar o escoamento de energia no Nordeste para viabilizar projetos de hidrogênio verde, enfrentando desafios de infraestrutura. O ONS estuda liberar até 1,8 GW na região, mas empresas de hidrogênio verde enfrentam dificuldades para acessar a rede elétrica, essencial para investimentos em 2026.

Atualizado em
June 1, 2025
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Porto de Suape, no litoral de Pernambuco - Eduardo Knapp/Folhapress

O Operador Nacional do Sistema (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estão avaliando maneiras de aumentar o escoamento de energia no Nordeste do Brasil. Essa ação visa permitir que projetos de hidrogênio verde tomem decisões finais de investimento já em 2026. Há a possibilidade de criar espaço para a injeção de pelo menos 1 gigawatt (GW) entre os estados do Ceará e Piauí, que concentram os maiores projetos de hidrogênio verde do país.

No último mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negou recursos a várias empresas do setor, como Solatio e Casa dos Ventos, que contestaram decisões do ONS. O operador justificou que a região enfrenta um excesso de geração de eletricidade em certos períodos e a falta de linhas de transmissão adequadas para suportar o fluxo necessário. Os projetos de hidrogênio verde requerem grandes quantidades de energia, como o da Solatio, que prevê uma capacidade instalada de 3 GW.

Os projetos localizados no porto de Pecém, no Ceará, superam 5 GW, e todos têm previsão de decisão final de investimento para 2026. Um funcionário do ONS expressou ceticismo sobre a viabilidade de todos os projetos, citando a escassez de equipamentos no mercado global. O ONS está relutante em aumentar a margem de escoamento para esses empreendimentos, mas planeja sugerir obras que possam abrir espaço para uma capacidade adicional de até 1,8 GW na região.

Embora essa quantidade seja inferior à soma dos projetos que devem ser aprovados em 2026, o setor acredita que pode ser suficiente para facilitar as decisões de investimento. A presidente da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Fernanda Delgado, destacou que as empresas precisam de um parecer de acesso à rede elétrica para garantir financiamentos. O ONS deve remapear o processo para encontrar essa capacidade adicional.

A EPE está prevista para divulgar estudos sobre as estruturas necessárias para garantir o escoamento de mais 4 GW no Nordeste, o que pode impactar o cronograma das empresas. A pressão política em torno da localização das novas estruturas é intensa, com governadores buscando garantir que seus estados sejam beneficiados. O chefe de expansão de transmissão da EPE, Thiago Dourado, afirmou que o estudo deve priorizar áreas como Pecém e Piauí.

Recentemente, a Aneel decidiu que grandes empreendimentos precisarão pagar garantias ao solicitar acesso à rede elétrica. Esse mecanismo visa filtrar projetos com maior viabilidade financeira. A exigência de garantias pode ajudar a assegurar que apenas projetos sólidos avancem, beneficiando a infraestrutura energética da região. Em tempos de desafios como esses, a união da sociedade pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam o desenvolvimento sustentável e a transição energética.

Folha de São Paulo
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