Meio Ambiente

Renda do petróleo no Brasil: desafios para a destinação e combate às desigualdades sociais e climáticas

Em 2024, o Rio de Janeiro recebeu 82,6% da renda do petróleo, enquanto apenas 0,5% foi destinado a questões ambientais. A regulamentação do Fundo Social é urgente para combater desigualdades e mudanças climáticas.

Atualizado em
June 24, 2025
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Arte: Lucas Neopmann/Nexo Jornal

A renda do petróleo no Brasil, que inclui royalties e participações, tem gerado discussões sobre sua destinação. Em 2024, o estado do Rio de Janeiro recebeu 82,6% da renda distribuída, enquanto apenas 0,5% foi destinado a iniciativas ambientais. O governo enfrenta pressão para regulamentar o uso do Fundo Social, que atualmente é utilizado para emergências, em vez de políticas climáticas.

A destinação da renda do petróleo, que varia entre R$ 110 bilhões e R$ 120 bilhões anualmente, revela um quadro disfuncional. Menos de 0,5% é direcionado à agenda ambiental e apenas 1% ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Embora 60% da renda seja distribuída a estados e municípios, as regras de distribuição, criadas em um contexto anterior, resultam em desigualdades regionais significativas.

O Tribunal de Contas da União (TCU) já analisou essa situação, destacando que a concentração de recursos em poucos estados e municípios acentua as desigualdades regionais. A falta de regulamentação na aplicação da renda do petróleo em muitos estados e municípios impede o rastreamento dos gastos. Em contraste, a parte da renda que fica com a União é mais transparente, mas ainda apresenta problemas.

Em 2025, a previsão é que a União receba R$ 52 bilhões da renda do petróleo, com R$ 35 bilhões provenientes da capitalização do Fundo Social. Destes, R$ 17,3 bilhões são destinados à educação, uma vinculação que, embora promissora, não representa um aumento real nos recursos, mas sim uma substituição de outras fontes de financiamento.

A situação se agrava com a destinação dos outros 50% do Fundo Social, que, em mais de uma década, não teve regulamentação adequada. Os recursos foram utilizados para pagar juros da dívida pública e emergências, como as enchentes no Rio Grande do Sul. O governo, pressionado pelo TCU, apresentou uma regulamentação frágil que permite o uso dos recursos para iniciativas definidas como prioridade pelo governo atual.

É essencial que a destinação da renda do petróleo responda aos desafios de combate às desigualdades e às mudanças climáticas. Para isso, é necessário garantir que pelo menos 20% dos recursos do Fundo Social sejam alocados para políticas climáticas e que a renda do petróleo não esteja sujeita aos limites do novo arcabouço fiscal. Nessa situação, a união da sociedade pode ser fundamental para apoiar iniciativas que enfrentem esses desafios e promovam um futuro mais justo e sustentável.

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