Meio Ambiente

Produtores de Belém se preparam para fornecer alimentos na COP30 após reviravolta no edital de gastronomia

Produtores de Belém se reunirão para discutir fornecimento de alimentos na COP30, após correção de edital que excluiu proibição de pratos tradicionais da Amazônia. O evento ocorrerá de 10 a 21 de novembro.

Atualizado em
August 19, 2025
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Após polêmica, organização da COP30 afirma que a culinária paraense será incorporada ao evento e que o detalhamento final dos cardápios será definido após a seleção dos fornecedores. (Paulo Amorim/Getty Images)

Produtores e empreendedores de Belém se reunirão nesta terça-feira, 19 de agosto, para discutir as oportunidades de fornecimento de alimentos durante a COP30, que ocorrerá entre 10 e 21 de novembro. A audiência pública será realizada das 9h30 às 12h no Teatro Estação Gasômetro e visa esclarecer dúvidas sobre o edital que selecionará os operadores de restaurantes e quiosques oficiais do evento. O encontro é promovido pelo governo federal em parceria com a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) e os governos estadual e municipal.

Durante a audiência, os participantes poderão conhecer o cronograma do edital, os requisitos técnicos para participação, os critérios de sustentabilidade exigidos e os procedimentos de inscrição e seleção. O edital prevê a instalação de 87 estabelecimentos, divididos em seis categorias de cardápio. Uma das principais exigências é que pelo menos 30% dos ingredientes utilizados sejam de origem local ou provenientes da agricultura familiar da região.

Para aqueles que não puderem comparecer à audiência, a organização programou plantões tira-dúvidas presenciais. O primeiro ocorrerá na quarta-feira, 20 de agosto, das 10h às 12h, e o segundo na quinta-feira, 21 de agosto, das 17h às 19h. Ambos serão realizados na sede da Secretaria Extraordinária para a COP30, localizada no prédio do Banco do Brasil, no bairro Campina, em Belém. Esses plantões servirão como suporte técnico para os interessados em operar os restaurantes e quiosques nas Zonas Azul e Verde da conferência.

O edital de alimentação da COP30 passou por uma reviravolta após a inclusão de uma lista de alimentos proibidos, que inicialmente excluía pratos tradicionais da culinária amazônica, como açaí, tucupi e maniçoba. A justificativa da OEI foi o risco sanitário, alegando que o açaí poderia transmitir a doença de Chagas se não fosse pasteurizado. Essa decisão gerou forte reação de entidades ligadas à gastronomia e produção amazônica, que criticaram o que consideraram preconceito cultural.

O ministro do Turismo, Celso Sabino, classificou a medida como um "erro grave" e garantiu que o edital seria corrigido. Ele destacou que Belém é reconhecida pela Unesco como Cidade Criativa da Gastronomia desde 2015 e recebeu prêmios internacionais por sua culinária. Em resposta à pressão, a OEI publicou uma correção que excluiu a lista de itens proibidos, permitindo que a culinária paraense seja incorporada ao evento.

O site oficial da COP30 confirmou que os detalhes finais dos cardápios serão definidos após a seleção dos fornecedores. Essa situação destaca a importância de valorizar a gastronomia local e a agricultura familiar. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a cultura e a sustentabilidade na região, garantindo que a riqueza da culinária amazônica seja celebrada durante a conferência.

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