Socioambiental

Quintais urbanos revelam saberes ancestrais e fortalecem laços comunitários em São Paulo

Quintais urbanos em São Paulo e Guarulhos se destacam como espaços de cura e sociabilidade, revelando saberes tradicionais e promovendo hortas comunitárias. Pesquisas mostram a importância desses ambientes na vida dos moradores.

Atualizado em
July 1, 2025
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Markus Spiske

Estudos recentes destacam a importância dos quintais urbanos em São Paulo e Guarulhos como espaços de cura, sociabilidade e preservação de saberes. A antropóloga Andréa Barbosa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), realizou uma pesquisa entre 2022 e 2024, visitando cerca de 20 quintais para entender seu papel na vida dos moradores e como eles desafiam a urbanização acelerada. Barbosa observa que esses espaços são únicos e refletem a identidade de seus proprietários, servindo como locais de produção de remédios caseiros e de interação social.

Dona Nilcéa, residente na Vila Regente Feijó, exemplifica essa conexão com a natureza. Ela cultiva seu quintal há mais de cinquenta anos, onde abriga árvores frutíferas e ervas medicinais. A pesquisa revela que muitos moradores, oriundos do meio rural, trazem sementes e técnicas de cultivo, mantendo viva a relação com suas raízes. Barbosa destaca que a troca de produtos entre vizinhos fortalece laços comunitários, como no caso de Eliane e Toninho, que distribuem uvas cultivadas em seu quintal.

Além disso, a pesquisa de Guilherme Reis Ranieri, defendida em 2019, mapeou cerca de duzentas espécies de plantas em quintais urbanos, muitas das quais são ignoradas por grandes redes de supermercados. Ele alerta que o conhecimento sobre essas plantas está se perdendo, especialmente entre as gerações mais jovens, que associam o cultivo à pobreza. Essa desconexão pode levar à extinção de saberes valiosos sobre biodiversidade e saúde.

A arquiteta Sonia Wagner de Ferrer, em sua tese de doutorado, também analisa a diversidade dos quintais urbanos, que vão desde espaços luxuosos até áreas mais simples, como as de favelas. Ela observa que, na ausência de quintais, moradores de apartamentos adaptam varandas e cozinhas para cultivar plantas. Essa flexibilidade demonstra a importância do espaço para atender às necessidades e desejos dos moradores, refletindo a diversidade cultural brasileira.

Em um contexto global, Barbosa também investigou hortas comunitárias em Barcelona, onde coletivos lutam contra a gentrificação e a crise de moradia. O movimento defende que a produção de alimentos fortalece os laços comunitários e garante a permanência dos moradores em seus bairros. Essa experiência é um exemplo de como a agricultura urbana pode ser uma ferramenta de resistência e solidariedade.

Iniciativas como as hortas comunitárias em São Paulo, que promovem o cultivo de plantas medicinais, são fundamentais para a saúde e bem-estar das comunidades. Projetos que incentivam a troca de saberes e a produção local devem ser apoiados pela sociedade civil. A união em torno dessas causas pode fazer a diferença na preservação de tradições e na promoção de um estilo de vida mais sustentável.

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