Meio Ambiente

Secas extremas de 2023 a 2025 afetam economias e ecossistemas em todo o mundo, revela relatório da ONU

Secas recordes entre 2023 e 2025 causaram danos sem precedentes em diversas regiões, incluindo a Amazônia, afetando economias e ecossistemas globalmente, segundo relatório da UNCCD. O fenômeno El Niño e a mudança climática intensificaram os efeitos da seca, resultando em perdas significativas no comércio internacional e impactos severos na fauna e flora.

Atualizado em
July 2, 2025
Clock Icon
4
min
Moradores caminham pelo leito seco de um braço do rio Solimões próximo à comunidade indígena Porto Praia, no município de Tefé (AM) - Lalo de Almeida - 18.set.24/Folhapress

Entre 2023 e 2025, secas severas afetaram diversas regiões do mundo, causando prejuízos econômicos e sociais sem precedentes, conforme um relatório da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD). O fenômeno natural El Niño, que aquece as águas do oceano Pacífico, combinado com a mudança climática, intensificou as secas, impactando a população global. A autora principal do relatório, Paula Guastello, destaca que "ninguém ficou imune aos efeitos da seca massiva".

O relatório, que se baseou em estudos científicos e pesquisas, foi apresentado durante um evento da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca, do qual o Brasil é signatário. Daniel Tsegai, especialista em secas da UNCCD, enfatiza a necessidade de tratar a seca como um risco sistêmico, com impactos mais abrangentes do que se imaginava. A Amazônia foi uma das áreas mais afetadas, com a parte brasileira do bioma perdendo 3,3 milhões de hectares de água superficial em 2023.

O desmatamento na Amazônia contribuiu para a intensificação da seca, reduzindo a fotossíntese e liberando carbono na atmosfera. Além disso, a queda no nível dos rios amazônicos prejudicou comunidades que dependem de barcos para locomoção. O debate sobre o asfaltamento de estradas na região, como a BR-319, levanta preocupações sobre os impactos ambientais e o aumento do desmatamento.

Os efeitos da seca também foram sentidos no canal do Panamá, onde a redução das chuvas limitou o peso das cargas em até 40%, resultando em perdas de US$ 100 milhões mensais entre outubro de 2023 e janeiro de 2024. No México, sessenta e sete por cento do território enfrentou seca em setembro de 2023, enquanto na África, a Etiópia, Somália e Quênia vivenciaram a maior seca em setenta anos.

O Marrocos investiu cerca de € 15 milhões em semeadura de nuvens para aumentar a precipitação, embora haja receios sobre os impactos na fauna aquática. Na Espanha, a seca e ondas de calor resultaram em uma queda de cinquenta por cento na safra de azeitonas, elevando o preço do azeite e aumentando os registros de roubo do produto. A colheita de uvas para vinho em Valência foi a menor em trinta anos.

O relatório da UNCCD recomenda medidas para aumentar a resiliência dos países, como o gerenciamento sustentável da água e o engajamento das comunidades locais. É urgente que governos e agricultores adotem práticas que reduzam a demanda hídrica na agricultura. Em tempos de crise, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que ajudem as comunidades afetadas e promovam a sustentabilidade ambiental.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

Governo brasileiro lança Fundo Florestas Tropicais para Sempre para combater desmatamento e preservar biodiversidade
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Governo brasileiro lança Fundo Florestas Tropicais para Sempre para combater desmatamento e preservar biodiversidade
News Card

Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) visa preservar florestas tropicais. A iniciativa, lançada na Semana do Clima da ONU, promete pagamentos anuais por hectare preservado, incentivando países a manterem suas florestas.

Corpo de Bombeiros do DF intensifica combate a incêndios florestais com uso de aeronaves especializadas
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Corpo de Bombeiros do DF intensifica combate a incêndios florestais com uso de aeronaves especializadas
News Card

O Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) intensifica o uso de aeronaves no combate a incêndios florestais, realizando 65 voos em 2025 e lançando 134,5 mil litros de água em diversas operações. Com pilotos experientes, o CBMDF atua em áreas de difícil acesso, destacando missões em estados como Bahia e Amazonas. A colaboração da população é essencial para prevenir incêndios e garantir a segurança ambiental.

Brasil busca pacto internacional de $7 bilhões anuais para proteger a Amazônia na COP30 em Belém
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Brasil busca pacto internacional de $7 bilhões anuais para proteger a Amazônia na COP30 em Belém
News Card

ONGs e líderes ambientais solicitaram ao governo brasileiro um pacto internacional que assegure US$ 7 bilhões anuais para a proteção da Amazônia, destacando a COP30 como uma oportunidade crucial. O documento entregue enfatiza a necessidade de mobilização de recursos para evitar a degradação irreversível da floresta, que já perdeu mais de 17% de sua área.

Seis espécies de felinos silvestres são registradas juntas pela primeira vez no Parque Estadual da Serra da Concórdia
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Seis espécies de felinos silvestres são registradas juntas pela primeira vez no Parque Estadual da Serra da Concórdia
News Card

Seis espécies de felinos silvestres foram registradas no Parque Estadual da Serra da Concórdia, incluindo a onça-pintada, em um marco para a conservação da Mata Atlântica. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) destaca que a presença desses animais, cinco deles ameaçados, indica a saúde do ecossistema local e o sucesso das políticas de preservação.

Desmatamento na Amazônia registra aumento de 4% e se torna mais vulnerável a incêndios florestais
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Desmatamento na Amazônia registra aumento de 4% e se torna mais vulnerável a incêndios florestais
News Card

O desmatamento na Amazônia aumentou 4% entre agosto de 2024 e julho de 2025, totalizando mais de 4 mil km², enquanto o Cerrado registrou queda de 21% nos alertas de desmatamento. O governo atribui a alta à seca e aos incêndios florestais, destacando a necessidade de intensificar a fiscalização e o combate ao fogo.

Incêndios na Amazônia e Pantanal se intensificam com mudanças climáticas e desmatamento crescente
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Incêndios na Amazônia e Pantanal se intensificam com mudanças climáticas e desmatamento crescente
News Card

Calor extremo se aproxima do Brasil, aumentando o risco de incêndios na Amazônia e no Pantanal. O governo cria sala de crise para monitorar queimadas e reforçar punições a crimes ambientais.