Socioambiental

Terras de afrodescendentes na América Latina apresentam desmatamento até 55% menor e são essenciais para a biodiversidade

Terras de afrodescendentes no Brasil, Colômbia, Equador e Suriname apresentam até 55% menos desmatamento que áreas não tituladas, segundo estudo da Conservation International. A pesquisa destaca a importância dessas terras na conservação da biodiversidade e na retenção de carbono, revelando que, apesar de ocuparem apenas 1% do território, mais da metade está entre as áreas mais ricas em biodiversidade do mundo.

Atualizado em
July 22, 2025
Clock Icon
3
min
Laudelina de Oliveira, moradora do quilombo São Pedro, em Eldorado (SP), participa de produção sustentável e de rede de doação de alimentos no Vale do Ribeira - Karime Xavier - 14.set.21/Folhapress

Uma pesquisa recente revelou que as terras ocupadas por afrodescendentes no Brasil, Colômbia, Equador e Suriname apresentam taxas de desmatamento até 55% menores em comparação com áreas não tituladas. O estudo, publicado na revista Communications Earth & Environment, foi realizado pela ONG Conservation International e analisou dados de 21 anos para evidenciar a importância dos povos afrodescendentes, como os quilombolas, na conservação ambiental.

Os resultados indicam que as terras quilombolas não apenas preservam maior biodiversidade, mas também retêm mais carbono, contribuindo significativamente para a luta contra as mudanças climáticas. A pesquisa destaca que, mesmo em comparação com áreas de conservação tituladas, as terras quilombolas demonstram uma proteção superior, com uma redução média de 29% no desmatamento.

Laudelina de Oliveira, moradora do quilombo São Pedro, em Eldorado (SP), participa de iniciativas de produção sustentável e doação de alimentos, exemplificando o papel ativo das comunidades afrodescendentes na preservação do meio ambiente. A autora principal do estudo, Sushma Shrishtha, enfatiza a necessidade de documentar as contribuições desses povos para a conservação, ressaltando que suas terras são essenciais para combater a perda de biodiversidade.

Embora representem apenas 1% do território dos quatro países analisados, mais da metade das terras afrodescendentes está localizada em áreas com alta biodiversidade. O estudo também revela que essas terras armazenam mais de 486 milhões de toneladas de carbono irrecuperável, cuja perda poderia agravar a crise climática.

Hugo Jabini, líder quilombola do povo saramaka, destacou a importância do reconhecimento científico e legal do papel dos afrodescendentes na discussão climática. A advogada Marina Marçal reforçou que é fundamental enxergar esses povos como protagonistas na prevenção das mudanças climáticas, e não apenas como vítimas.

Com a crescente valorização das práticas de conservação dos afrodescendentes, a sociedade civil tem a oportunidade de apoiar iniciativas que promovam a preservação ambiental e a justiça social. A união em torno de projetos que respeitem e valorizem os direitos territoriais dessas comunidades pode fazer uma diferença significativa na luta contra a degradação ambiental.

Folha de São Paulo
Quero ajudar

Leia mais

Brasil se destaca na COP30 com ações concretas para justiça climática e enfrentamento das desigualdades sociais
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Brasil se destaca na COP30 com ações concretas para justiça climática e enfrentamento das desigualdades sociais
News Card

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) será protagonista na COP30, abordando justiça climática e desigualdades socioambientais, com foco em ações concretas no semiárido e Pantanal. A conferência, marcada para novembro em Belém, destacará iniciativas como o Projeto de Integração do Rio São Francisco e o fortalecimento da resiliência hídrica, visando proteger populações vulneráveis e promover desenvolvimento regional.

Censo revela que 11,8 milhões de pessoas vivem em Unidades de Conservação no Brasil, com destaque para comunidades tradicionais
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Censo revela que 11,8 milhões de pessoas vivem em Unidades de Conservação no Brasil, com destaque para comunidades tradicionais
News Card

Censo revela que 11,8 milhões de pessoas residem em Unidades de Conservação no Brasil, com 131 mil em áreas onde a habitação é proibida, destacando a complexidade das ocupações e precariedades enfrentadas. A maioria é parda, com aumento de quilombolas e indígenas, evidenciando conflitos entre políticas ambientais e regularização fundiária.

Governo Lula inicia operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó para combater garimpo ilegal
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Governo Lula inicia operação de desintrusão na Terra Indígena Kayapó para combater garimpo ilegal
News Card

O governo Lula iniciará em 2 de fevereiro uma operação de 90 dias para expulsar garimpeiros da Terra Indígena Kayapó, em resposta a uma decisão do STF. A ação, que envolve 20 órgãos, visa combater a mineração ilegal e suas consequências ambientais e de saúde.

"Nova Área de Proteção Ambiental na Foz do Rio Doce promove sustentabilidade e preservação da biodiversidade"
Socioambiental
Clock Icon
3
min
"Nova Área de Proteção Ambiental na Foz do Rio Doce promove sustentabilidade e preservação da biodiversidade"
News Card

Foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) da Foz do Rio Doce, com 45.417 hectares, como parte do acordo judicial pós-rompimento da barragem de Fundão, beneficiando comunidades tradicionais e a biodiversidade local.

Guarani mbya celebram ampliação histórica do território indígena Jaraguá em São Paulo com cerimônia sagrada
Socioambiental
Clock Icon
3
min
Guarani mbya celebram ampliação histórica do território indígena Jaraguá em São Paulo com cerimônia sagrada
News Card

A ampliação do território indígena Jaraguá para 532 hectares foi celebrada pelos guarani mbya, marcando uma vitória histórica na luta por direitos territoriais e preservação ambiental. O pacto de gestão compartilhada com o Parque Estadual do Jaraguá, firmado entre a comunidade, a Funai e o Governo de São Paulo, garante a proteção do meio ambiente e o manejo sustentável dos recursos naturais. A cerimônia contou com a presença de autoridades e lideranças indígenas, destacando a importância da preservação e do respeito às tradições.

Ferrogrão avança com estudos da ANTT, mas enfrenta resistência de comunidades indígenas e disputas judiciais
Socioambiental
Clock Icon
4
min
Ferrogrão avança com estudos da ANTT, mas enfrenta resistência de comunidades indígenas e disputas judiciais
News Card

A ANTT enviará estudos ao TCU sobre a Ferrogrão, com leilão previsto para 2024, enquanto comunidades indígenas contestam a consulta prévia e reivindicam R$ 1,7 bilhão em indenização. O projeto enfrenta forte resistência socioambiental.