Meio Ambiente

Transposição do Rio São Francisco é privatizada e gera polêmica sobre acesso à água no Nordeste

O Ministério da Integração anunciou a privatização da transposição do Rio São Francisco, gerando preocupações sobre o custo da água e a infraestrutura necessária para abastecer o Nordeste. Especialistas criticam a medida, destacando que a obra prioriza interesses econômicos em detrimento das comunidades vulneráveis.

Atualizado em
May 8, 2025
Clock Icon
4
min
Privatização. Iniciada por Lula em 2007, a construção dos canais que atravessam cinco estados nordestinos está praticamente pronta. A iniciativa privada ficará responsável pela infraestrutura de bombeamento das águas e pela expansão da rede de distribuição – Imagem: Redes Sociais/Ministério da Integração Regional e Ricardo Stuckert/PR

A transposição do Rio São Francisco, um projeto idealizado por Dom Pedro II, será privatizada após quase duas décadas de obras. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) anunciou a publicação do edital para a parceria público-privada em agosto de 2025, com leilão previsto para novembro. A iniciativa visa atender a doze milhões de habitantes em 390 municípios nordestinos, mas gera preocupações sobre o aumento do custo da água e a falta de infraestrutura de bombeamento.

Os canais da transposição, que atravessam os estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, estão praticamente prontos, mas a entrega à iniciativa privada levanta críticas. Especialistas, como Cícero Félix, da Articulação do Semiárido (ASA), afirmam que a privatização prioriza interesses econômicos em detrimento das comunidades vulneráveis. Ele destaca que o foco do projeto sempre foi expandir a fruticultura irrigada e a indústria, não atender as famílias no Semiárido.

Eduardo Tavares, secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do MIDR, informou que a empresa concessionária investirá US$ 2,76 bilhões, superando os R$ 14 bilhões gastos pelo governo federal. Os governadores dos estados beneficiados devem oferecer contrapartidas para garantir recursos adicionais. A estrutura será operada por dois sistemas paralelos, sem relação direta entre os estados e o concessionário, o que, segundo Tavares, traria mais segurança ao processo.

Por outro lado, Roberto Malvezzi, da Comissão Pastoral da Terra, critica a privatização, afirmando que a população arcará com os custos, enquanto o abastecimento industrial precisará de subsídios. Ele também ressalta a necessidade de revitalização do rio, que perdeu 40% de seu volume hídrico. João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, alerta que o rio já está exaurido e não pode suportar as retiradas previstas sem comprometer o abastecimento das comunidades ribeirinhas.

Além da falta de infraestrutura de bombeamento, a evaporação nos canais abertos contribui para a perda de água. João Ferreira Neto, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso, critica a Codevasf por não concluir obras essenciais na região. Ele afirma que a população depende de cisternas para captação de água da chuva, pois a transposição ainda não trouxe água encanada para muitos locais.

O projeto de transposição, embora tenha levado água a grandes centros urbanos, ainda não atende a muitas comunidades menores. A falta de infraestrutura necessária para levar a água até o destino final continua sendo um desafio. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que busquem garantir o acesso à água e promover a recuperação ambiental na região, beneficiando aqueles que mais precisam.

Carta Capital
Quero ajudar

Leia mais

COP30 inicia em Bonn com desafios internos e externos para o Brasil na luta contra a mudança climática
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
COP30 inicia em Bonn com desafios internos e externos para o Brasil na luta contra a mudança climática
News Card

A COP30 inicia em Bonn, Alemanha, enquanto o Brasil enfrenta contradições ao leiloar blocos de petróleo. A falta de hospedagem em Belém levanta preocupações sobre a logística do evento. O Brasil busca liderar a eliminação de combustíveis fósseis, mas o leilão de 172 blocos de petróleo revela tensões internas. A COP30 pode ser prejudicada pela escassez de acomodações e pela insatisfação de países em desenvolvimento com o financiamento climático.

"Marabá celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente com plantio de 200 mudas nativas e ações de conscientização"
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
"Marabá celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente com plantio de 200 mudas nativas e ações de conscientização"
News Card

Em Marabá (PA), agentes do Ibama e estudantes da Unifesspa plantaram 200 mudas nativas em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, promovendo a recuperação de áreas degradadas e a conscientização ambiental.

Movimento em São Paulo clama por veto ao Projeto de Lei que ameaça a política ambiental brasileira
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Movimento em São Paulo clama por veto ao Projeto de Lei que ameaça a política ambiental brasileira
News Card

A pressão por um veto integral ao Projeto de Lei 2.159/21, que altera o licenciamento ambiental no Brasil, cresce em São Paulo, enquanto Lula avalia as consequências da sanção. Ambientalistas alertam para retrocessos significativos na legislação.

Colossal Foundation e Re:wild financiam conservação do mico-leão-preto com US$ 50 mil no Brasil
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Colossal Foundation e Re:wild financiam conservação do mico-leão-preto com US$ 50 mil no Brasil
News Card

O Programa de Conservação do Mico-leão-preto, liderado pelo IPÊ, recebeu US$ 50 mil do Fundo de Reintrodução de Espécies, permitindo novas translocações e um censo populacional na Fazenda Mosquito. A iniciativa visa fortalecer a população da espécie ameaçada e restaurar a biodiversidade da Mata Atlântica.

Caminhada noturna na Pedra Grande revela a beleza da natureza e a vista deslumbrante de São Paulo
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Caminhada noturna na Pedra Grande revela a beleza da natureza e a vista deslumbrante de São Paulo
News Card

A caminhada noturna na trilha da Pedra Grande, no Parque Estadual da Cantareira, oferece uma experiência única de conexão com a natureza em São Paulo. O evento mensal, que inicia ao entardecer, permite aos participantes apreciar o pôr do sol e a transição da floresta para a noite, com guias especializados. O percurso de oito quilômetros, de dificuldade média, é acessível a pessoas com preparo físico moderado e custa a partir de R$ 75. Além da trilha, os visitantes têm acesso ao Museu Florestal Octávio Vecchi, ampliando a experiência.

Amanda Giacomo se torna a primeira brasileira a navegar até o ponto mais ao sul do mundo na Antártica
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Amanda Giacomo se torna a primeira brasileira a navegar até o ponto mais ao sul do mundo na Antártica
News Card

Amanda Giacomo, bióloga marinha de 39 anos, fez história ao se tornar a primeira brasileira a navegar até a latitude de 78°05,225 no mar de Weddel, durante expedição no navio Almirante Irizar. Ela recebeu um certificado do comandante, destacando seu feito inédito e a importância de sua pesquisa sobre cetáceos. A bióloga, que é mãe e doutoranda, expressou sua emoção ao realizar o sonho de infância de trabalhar com baleias e golfinhos.